| Saudação de João Soares, Presidente da CML Saudação de Maria Calado, Vereadora do Pelouro da Cultura Saudação de João Paulo Cotrim, Director da Bedeteca de Lisboa |
![]() Viver melhor Entrar na Bedeteca de Lisboa, mais do que entrar numa biblioteca, é participar numa aventura desenhada. Embora nascida no século passado, a literatura em imagens é uma arte deste século. Visual, mas narrativa; linguagem do humor, mas capaz da mais profunda visão; para crianças, mas cada vez mais adulta; a bd é uma viagem feita de papel e tinta. E é por isso que uma das missões desta casa é recolher e dar a ler. Os livros de hoje, as revistas de ontem e cada um dos projectos de amanhã devem ser caçados como quem captura borboletas: para dar a ler o que queria dizer exactamente Mundo de Aventuras ou o Mosquito. O passado é demasiado precioso para se deixar perder. Aqui, todos os álbuns são raros, mesmo o mais gasto dos Astérix, mais ainda se estiverem em boas mãos: as do leitor. Outra das missões desta casa é investigar e dar a conhecer. Bordallo Pinheiro fez maravilhas com a narrativa e a sátira política, Stuart roubou à cidade as suas personagens e Botelho desenhou-lhe cada um dos seus contornos. Entretanto, na Europa ou na América, a Norte e a Sul, a narrativa gráfica ia ganhando cores e estilos, temas e laboratórios. Tudo isso merece ser visto e explicado em textos, debates e publicações. Daí ser uma outra das missões desta casa pensar e dar a ver. Nenhuma tendência da ilustração e das histórias aos quadradinhos nos podem escapar. Mostrar esta arte é inventar maneiras de entrar nos conteúdos, nos heróis, nas técnicas. Cada exposição é diferente: pode ser para crianças, pode ser um espectáculo, pode ser conceptual, contemporânea ou dizer do passado e ser muito explicativa para todas temos lugar. E outra missão essencial desta casa é desafiar e dar à estampa. Sem histórias em papel não há banda desenhada. E é por isso que faz sentido estimular o máximo de produções. Lisboa precisa de uma história que conte as suas histórias? Pois peça-se a Filipe Abranches e A. H. de Oliveira Marques que renovem a bd histórica! A capital deseja ser contada? Pois lance-se as novas gerações em múltiplas leituras da cidade! Recolha-se o que está esquecido. Antecipe-se o futuro. Claro que é missão desta casa brincar e dar gosto. Nunca o prazer poderá estar arredado destes jardins, destas paredes. Os mais novos entendem melhor o prazer que pode ser decifrar uma imagem, ninguém hoje se pode dar ao luxo de não usufruir os dias com qualidade. O que é afinal a cultura, para que serve a imagem se não for para nos ajudar a viver. Pois vive-se melhor aqui. E com gosto. João Paulo Cotrim |
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