- CORO "LOPES-GRAÇA" da ACADEMIA de AMADORES de MÚSICA
Fundado em 1946 por F. Lopes-Graça,
o Coro esteve inicialmente ligado ao Movimento de Unidade Democrática
e só em 1950 foi incorporado na Academia de Amadores de Música,
tendo nessa altura adoptado o nome de Coro da Academia de Amadores de Música.
O Coro foi dirigido pelo seu fundador até 1986, tendo a partir desse
ano passado a contar com a direcção de José Robert, maestro-adjunto
de Lopes-Graça de 1974 a 1985.
No seu início, o repertório do Coro era constituído pelas
"Canções heróicas" que Lopes-Graça havia
começado a compor no Verão de 1944 em estreita colaboração
com os autores dos poemas (Carlos de Oliveira, João José Cochofel,
José Gomes Ferreira, Armindo Rodrigues, Arquimedes da Silva Santos, Edmundo
de Bettencourt, Joaquim Namorado, Mário Dionísio, entre outros),
e as apresentações públicas incluíam a declamação
de poesia por Manuela Porto, bem como sessões de teatro a cargo de um
grupo de amadores por ela criado. A partir da década de 50 um cada vez
maior número de canções regionais portuguesas, em harmonização
de Lopes-Graça, integrou repertório do Coro e, devido aos condicionalismos
políticos da época, as "Canções heróicas"
deixaram de ser cantadas nos concertos públicos. O Coro passou então
a apresentar-se exclusivamente como instrumento de divulgação
da canção regional portuguesa e recolhe admiração
e aplauso junto da crítica musical da época, conseguindo ao mesmo
tempo um grande impacto de comunicação junto das populações
rurais e suburbanas.
O Coro tem actuado em todo o País em todo o tipo de salas e lugares perante
as mais variadas assistências, tendo-se deslocado a Paris (Dezembro de
1974), Luanda (Abril de 1979) e Parlamento Europeu - Bruxelas /Abril de 1998).
João de Freitas Branco (in Gazeta Musical, Lisboa 1959) escreveu: "Fundando
e dirigindo o Coro da Academia de Amadores de Música, Lopes-Graça
criou um meio de dar realidade sonora às suas harmonizações.
O mais notável não é, todavia, o ter fundado e assumido
a direcção, mas sim o formar em Portugal uma unidade polifónica
persistente em existir, progredir e servir compenetradamente uma causa de cultura."
Fernando Lopes-Graça faleceu a 27 de Novembro de 1994 e, por decisão
unânime da Assembleia Geral da A.A.M. de 15/12/94, passou a designar-se
"Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música".
Desde muito cedo a actividade musical
de José Robert incidiu no estudo e prática da música Coral,
pois que, simultaneamente com os seus estudos musicais, fez parte activa e regular
de vários agrupamentos corais, infantis e juvenis, com especial incidência
na polifónica.
Após ter concluído o Curso de Canto Gregoriano, estudou harmonia
e composição com o Dr. Manuel Luís, praticou Direcção
Coral e Música de Câmara com Viçoso Freire, dirigindo a
Schola Cantorum do Seminário Patriarcal dos Olivais durante vários
anos.
Foi co-fundador do Coro da Fundação Gulbenkian, onde permaneceu
oito anos. Posteriormente, depois de dirigir o Orfeão Scalabitano, assumiu
a Direcção Artística do Choral Phidellius, cargo que ocupa
desde 1971, dirigindo também desde 1974 como adjunto de Fernando Lopes-Graça,
e a partir de 1988 como titular, o Coro da Academia de Amadores de Música,
presentemente designado Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música.
Frequentou diversos cursos e seminários de Direcção Coral
e Orquestral no País e no Estrangeiro. Nomeadamente trabalhou com Pierre
Kaelin, Heinz Henning, Arnaudof da Bulgária, Herbet Joris e, em Berlim,
frequentou o Curso Internacional para Directores de Coros Mistos, sob a orientação
de Gertrichmuth, de Leipzig.
Desde 1979, e com regularidade, dedica parte da sua actividade à formação
técnica e artística de Directores Corais, orientando, a convite
da Secretaria de Estado da Cultura e de outros organismos oficiais e particulares,
diversos cursos e workshops de Direcção Coral em várias
zonas do País.Com alguma frequência tem sido convidado para membro
de júri de diversos concursos de composição coral e, também,
para a direcção de ateliers corais em workshops especializados.
Diplomado com o Curso Superior de Educação pela Arte, do Conservatório
Nacional de Lisboa, é, desde 1981, o Director Artístico do Coro
da Universidade de Lisboa. Desde Outubro de 1991 desempenha o cargo de professor
de Direcção Coral na Academia de Amadores de Música de
Lisboa e, a partir de Março de 1997, data da sua fundação,
dirige o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa.
"VIDA E OBRA"
Lopes-Graça, Fernando (Tomar, 17/12/1906; Parede, 27 /12/1994)
Compositor, pianista, regente e musicógrafo
português. Fez os primeiros estudos de piano na sua terra natal onde aos
quatorze anos ingressa no quinteto que funcionava no Cine Teatro local.
Em 1924 vai para Lisboa onde cursa o Conservatório, tendo como professores
Adriano Moreira (curso superior de Piano), Tomás Barbosa (Composição),
Luís de Freitas Branco (Ciências Musicais) e Viana da Mota (curso
de Virtuosidade).
Em 1929 apresenta-se pela primeira vez como compositor tocando ele próprio
as suas "Variações sobre um Tema Popular Português",
para piano e dirigindo um "Poemeto" para orquestra de arco.
Em 1931, terminados os estudos, presta provas de concurso para as vagas de professor
de piano e de solfejo do Conservatório, em que obtém a primeira
classificação, não chegando contudo a ser nomeado por motivos
políticos, que lhe valem ser preso e desterrado para a vila de Alpiarça,
onde lhe é fixada residência durante alguns meses.
Em 1932 vai para Coimbra a fim de ali exercer o professorado, primeiro na Academia
de Música e depois extinta esta, no Instituto de Música até
1936. Torna a matricular-se na Universidade cujo curso não chegou a terminar,
e em 1934 concorre a uma bolsa da Junta de Educação Nacional,
mas, apesar de aprovado não segue para Paris, novamente em virtude das
suas ideias políticas, contrárias à situação
vigente. Em 1936 é de novo detido, julgado e condenado em 1937.
Durante os anos de Coimbra colabora com o grupo literário da revista
Presença pondo em música alguns dos seus poetas mais representativos:
pela primeira vez no nosso país música e poesia se davam as mãos
na mesma senda da modernidade.
Em 1937 parte para Paris onde frequenta a cadeira de Musicologia da Sorbonne.
Escreve a música da revista-bailado "La Fiévre du temps",
estreada no Theâtre Pigalle em 1938, de que havia de extrair uma suite
orquestral. Empreende, por sugestão da cantora Lucie Dewinsky, a harmonização
das canções populares portuguesas. São estas harmonizações
que marcam uma viragem no estilo e nas preocupações do compositor,
que passam a orientar-se no sentido de conferir à sua música um
cunho marcadamente português que ao mesmo tempo trouxesse à música
portuguesa características de autenticidade nacional.
Anunciada já em obras anteriores, como "Variações
sobre um Tema Popular Português" (1928), o "Prelúdio,
Canção e Dança" (1929), para piano, as "Três
Canções ao Gosto Popular" (1934), sobre versos de António
Boto, as "Seis Canções sobre Quadras Populares Portuguesas"
(1936), ou o "Cancioneiro do Menino Jesus" (1936), sobre textos populares,
esta orientação precisa-se e ganha, por assim dizer foros de programa
estético sistemático na "Sonata nº 2 para piano e no
Quarteto para violino", "violoncelo e piano", obras compostas
ainda em Paris.
Em Outubro de 1939, depois da eclosão da segunda guerra mundial, regressa
a Lisboa onde passa a desenvolveu uma grande actividade como compositor, crítico,
pianista, publicista conferencista, organizador e regente de coros amadores.
Do ponto de vista criador, este período
é importante e particularmente fecundo. A primeira obra de vulto composta
depois do regresso é o "Concerto nº 1 para Piano e Orquestra",
com que, em 1940 obtém o prémio de composição do
círculo de cultura musical, então instituído.
Por mais três vezes obtém o mesmo prémio: em 1942, com a
"História Trágico-marítima", ciclo de melodias
para voz e orquestra sobre poemas de Miguel Torga; em 1944, com a "Sinfonia
per Orchestra" (editada em 1948 pela casa Suvini Zerboni, de Milão),
e em 1952 com a "Sonata nº 3 de piano".
Na produção pianística assinalam-se, além das "7
bagatelas" (1939-1948), das "9 danças breves", (1938-1948)
e dos "24 prelúdios" ( 1950-1955), as "II Glosas"
(1950), as "Viagens na minha terra" (1953), os "Natais portugueses"
(1954) e as "Melodias Rústicas Portuguesas" (1956).
Sem falar nos numerosíssimos trechos para vozes "a capella"
a que acrescem os para outras formações com participações
vocais, recordam-se as "Duas canções de Fernando Pessoa"
(1960) e os "Seis Cantos Sefardins" (1971), para canto e orquestra,
os "Sete fragmentos de Velhos Romances Portugueses" (1949-1956), as
"Cuatro Canciones de F. Garcia Lorca" (1953-1954), as "Nove cantigas
de amigo" (1964), e os "Contos de natal" (1958), para canto e
conjunto instrumental de câmara.
Mas sobretudo e na sequência da "História Tragico-marítima",
revista em 1959, destaca-se "D. Duardos e Florida" (1964-1969), para
recitantes, vozes solistas, coro misto e orquestra, este último até
hoje sempre ouvido (e visto) como ópera, mas concebido mais como cantata.
É em 1979 que, a pedido da Secretaria de Estado da Cultura, termina o
que é até agora, não só o culminar da sua obra mas
também o da música portuguêsa actual: O "Requiem pelas
vítimas do fascismo em Portugal", para Orquestra Sinfónica,
coro e cinco solistas.
Entretanto em 1976 o Soviet Supremo da U.R.S.S. concede-lhe a Ordem da Amizade
dos Povos. No ano de 1979 foi distinguido com a Medalha de Ouro da Cidade de
Alamada. Em 1980, o Presidente da República, General Ramalho Eanes, atribui-lhe
o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada. Em 1981, por
ocasião do seu 75º aniversário é-lhe atribuída
a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa. Em 1986 o Presidente da República
Mário Soaresoutorgou-lhe a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
No mesmo ano foi feito Dr. Honoris Causa pela Universidade de Aveiro. Em 1988
o Coro Misto da Universidade de Coimbra em colaboração com todas
as forças vivas da cidade, promove-lhe uma homenagem com a participação
de 6 coros nacionais e estrangeiros além do coro da Academia de Amadores
de Música por ele fundado.
Faleceu em 27 de Novembro de 1994.
Textos da responsabilidade do Coro