Polícia Civil
PC-SC
Santa Catarina

APOSTILA COMPLETA

Material de Estudo — Concurso Público 2026

AGENTE DE POLÍCIA CIVIL
Edital 01/2025  |  Organizadora: IDECAN
10 Disciplinas  |  110 questões na prova
Elaborado por: Dani Kaloi
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

ÍNDICE GERAL

DISCIPLINA QUESTÕES
01 LÍNGUA PORTUGUESA 20 questões
02 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO 20 questões
03 RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO 10 questões
04 DIREITO PENAL 10 questões
05 DIREITO PROCESSUAL PENAL 10 questões
06 DIREITO CONSTITUCIONAL 10 questões
07 DIREITO ADMINISTRATIVO 10 questões
08 CONTABILIDADE E FINANCEIRO 05 questões
09 DIREITOS HUMANOS 05 questões
10 LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL 10 questões
Polícia Civil de Santa Catarina — Edital 01/2025
Elaborado por: Dani Kaloi — Material de estudo, uso pessoal.
1

LÍNGUA PORTUGUESA

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
20 questões na prova — maior peso da prova
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTO

O que a prova pede

Interpretação de texto é a maior parte da prova de Português. A banca dá um texto e faz perguntas sobre ele. Você precisa entender o que está escrito — não inventar o que não está no texto.

Tipos textuais

TipoObjetivoExemplo
NarrativoConta uma história com personagens, tempo, espaço e conflitoConto, romance, notícia policial
DescritivoDescreve características de pessoas, lugares ou objetosRetrato de suspeito, descrição de cena do crime
Dissertativo-argumentativoDefende uma tese com argumentos e conclusãoEditorial, artigo de opinião
ExpositivoExplica um assunto de forma neutraVerbete de dicionário, texto científico
InjuntivoDá instruções, ordens ou procedimentosManual, receita, lei

Gêneros textuais mais cobrados

Como ler o texto na prova

  1. Leia o texto inteiro uma vez para ter ideia geral do assunto.
  2. Leia as perguntas.
  3. Releia as partes do texto que respondem cada questão.
  4. Elimine as alternativas erradas antes de marcar.
Armadilhas comuns: alternativas que usam palavras do texto mas com sentido trocado; alternativas que são verdadeiras no mundo real mas não estão no texto; alternativas que exageram ("sempre", "nunca", "todos") quando o texto diz "em geral".

Ideias implícitas e explícitas

Explícita: está dito claramente no texto. Ex.: "O suspeito foi preso às 15h."

Implícita (inferência): pode-se concluir a partir do texto, mas não está dito diretamente. Ex.: "Ele pulou o muro" → implicitamente estava fugindo.

Intertextualidade

Quando um texto faz referência a outro texto, ideia, obra ou evento. Ex.: texto que menciona um provérbio popular, uma cena bíblica ou uma lei.

Exercícios — Interpretação

Q1. Leia: "O delegado, embora cansado após 12 horas de plantão, recusou-se a encerrar o inquérito sem ouvir a última testemunha." O texto permite inferir que o delegado é:

  • A) Imprudente ao prolongar seu expediente
  • B) Dedicado e comprometido com a investigação
  • C) Desobediente às normas do plantão
  • D) Incapaz de tomar decisões racionais quando cansado

Q2. No texto "A polícia identificou o suspeito por meio de câmeras de segurança. Ele foi localizado horas depois em um bairro vizinho.", o conectivo "depois" indica relação de:

  • A) Causa
  • B) Concessão
  • C) Tempo
  • D) Condição
Gabarito: Q1-B | Q2-C

2. ORTOGRAFIA OFICIAL E NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

Novo Acordo Ortográfico (em vigor desde 2009)

O Acordo Ortográfico eliminou o trema em palavras de origem portuguesa (mas manteve em nomes estrangeiros: Müller), aboliu o acento diferencial em alguns casos e unificou a escrita entre Brasil e Portugal.

Uso do hífen — regras principais

SituaçãoRegraExemplos
Prefixo termina em vogal + palavra começa com H ou mesma vogalUSA hífenanti-herói, micro-ondas, contra-ataque
Prefixo termina em vogal + palavra começa com vogal diferenteNÃO usa hífenautoescola, semiaberto, extraoficial
Prefixo termina em consoante + palavra começa com consoante diferenteNÃO usa hífensubproduto, interplanetário
Prefixo termina em consoante + palavra começa com mesma consoanteUSA hífensub-bibliotecário, inter-racial
Palavras compostas (substantivos, adjetivos)Depende — memorize os mais cobradosguarda-chuva, beija-flor, bem-vindo
Prefixos que sempre usam hífen: ex- (ex-marido), vice- (vice-presidente), sota-, soto-, pós-, pré-, pró- (quando têm sentido próprio), recém- (recém-nascido), sem- (sem-teto), além- (além-mar).

Uso de letras maiúsculas

Parônimos e Homônimos mais cobrados

ParDiferença
descrição / discriçãodescrição = ato de descrever; discrição = ser discreto
comprimento / cumprimentocomprimento = tamanho; cumprimento = saudação ou execução
flagrante / fragranteflagrante = em ato; fragrante = que tem fragrância (cheiro)
infligir / infringirinfligir = aplicar (pena); infringir = violar (lei)
ratificar / retificarratificar = confirmar; retificar = corrigir
eminente / iminenteeminente = notável, importante; iminente = prestes a acontecer
tráfico / trafegotráfico = comércio ilícito; tráfego = fluxo de veículos
seção / sessão / cessãoseção = parte/divisão; sessão = reunião; cessão = ato de ceder
deferir / diferirdeferir = conceder; diferir = ser diferente ou adiar

Exercícios — Ortografia

Q3. Assinale a frase com uso correto do hífen:

  • A) anti-inflamatório
  • B) autoescola
  • C) sub-normal
  • D) extra-judicial

Q4. "O agente precisava agir com _____ para não revelar a identidade do informante." A palavra correta é:

  • A) descrição
  • B) discrição
  • C) discreção
  • D) discrisão

Q5. O perigo de novas explosões era _____. A palavra que completa corretamente é:

  • A) eminente
  • B) iminente
  • C) eminente ou iminente, indistintamente
  • D) imponente
Gabarito: Q3-A | Q4-B | Q5-B

3. COESÃO TEXTUAL — CONECTIVOS E REFERÊNCIA

O que é coesão

Coesão é o que faz as frases e parágrafos se ligarem bem, formando um texto unido. Sem coesão, o texto fica um amontoado de frases soltas.

Referência textual

Quando um termo do texto aponta para outro já mencionado (anáfora) ou que será mencionado (catáfora).

"O policial chegou ao local. Ele encontrou evidências importantes." → "ele" é anáfora de "policial".
"Isto ficou claro: o réu mentia." → "isto" é catáfora — aponta para o que vem depois.

Substituição e elipse

Substituição lexical: usa sinônimo ou expressão equivalente para evitar repetição.

"O delegado iniciou o inquérito. A autoridade policial agiu rapidamente." (delegado = autoridade policial)

Elipse: omissão de um elemento que pode ser recuperado pelo contexto.

"João foi à delegacia. [João] Prestou depoimento." (João foi omitido)

Conectivos — Tabela completa

RelaçãoConectivosDica
Adiçãoe, também, além disso, ademais, ainda, outrossim, bem comoAcrescenta ideia
Oposição/Contrastemas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, não obstanteContradiz a ideia anterior
Causaporque, pois (após vírgula), já que, visto que, uma vez que, por isso, em virtude deExplica o motivo
Consequêncialogo, portanto, assim, então, por isso, de modo que, tanto queResultado da ideia anterior
Conclusãologo, portanto, assim, então, pois (antes do verbo)Conclui o raciocínio
Condiçãose, caso, desde que, contanto que, a menos que, salvo seImpõe condição
Concessãoembora, apesar de, ainda que, mesmo que, conquanto, por mais queAdmite a ideia, mas opõe outra
Finalidadepara, a fim de, para que, com o intuito de, com o objetivo deIndica objetivo
Tempoquando, enquanto, depois que, antes que, assim que, logo que, desde queIndica momento
Comparaçãocomo, assim como, tanto quanto, bem como, tal qualCompara duas ideias
Conformidadeconforme, segundo, de acordo com, comoIndica fonte ou referência
Proporçãoà medida que, na medida em que, à proporção queDuas coisas crescem juntas
Cuidado com "pois": depois de vírgula = causa ("Ele fugiu, pois tinha medo"). Antes do verbo = conclusão ("Estou satisfeito, pois consegui o objetivo").
"à medida que" vs. "na medida em que": à medida que = proporcionalidade. Na medida em que = causa/razão.

Exercícios — Coesão

Q6. "O suspeito fugiu; _____, a polícia o perseguiu." O conectivo que indica CONSEQUÊNCIA é:

  • A) embora
  • B) por isso
  • C) desde que
  • D) apesar disso

Q7. "_____ o réu apresentasse álibi, o delegado manteve a prisão em flagrante." O conectivo de CONCESSÃO correto é:

  • A) Porque
  • B) Logo
  • C) Embora
  • D) Então

Q8. No trecho "A operação policial foi bem-sucedida. Esta foi planejada por semanas", o pronome "Esta" retoma:

  • A) A polícia
  • B) A operação policial
  • C) O sucesso
  • D) O planejamento
Gabarito: Q6-B | Q7-C | Q8-B

4. MORFOLOGIA — CLASSES DE PALAVRAS

As 10 classes gramaticais

1. Substantivo

Nome de seres, lugares, sentimentos, ações. Pode ser: próprio (Brasil, João — maiúscula) ou comum (país, homem — minúscula); concreto (mesa, policial) ou abstrato (justiça, coragem); coletivo (bando, alcateia, frota).

Coletivos importantes: frota (veículos), alcateia (lobos), bando (ladrões/pássaros), esquadra (navios/policiais), acervo (obras de arte), arquivo (documentos).

2. Adjetivo

Caracteriza o substantivo. Concorda em gênero e número. Pode ser simples (bom) ou composto (azul-escuro). Graus: comparativo (mais corajoso que) e superlativo (o mais corajoso / corajosíssimo).

3. Verbo

Exprime ação, estado ou fenômeno. Tem pessoa, número, tempo, modo e voz.

Vozes verbais:

Como passar de ativa para passiva: objeto direto vira sujeito paciente + verbo "ser" + particípio + "por" + sujeito agente.

4. Advérbio

Modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio. Indica circunstância:

TipoExemplos
Modobem, mal, rapidamente, assim, depressa
Tempohoje, ontem, amanhã, sempre, nunca, logo, já
Lugaraqui, ali, lá, atrás, perto, longe, dentro
Intensidademuito, pouco, mais, menos, bastante, demais
Negaçãonão, nunca, jamais, tampouco
Dúvidatalvez, quiçá, provavelmente
Afirmaçãosim, certamente, realmente

5. Pronome

Substitui ou acompanha o substantivo. Tipos principais:

6. Artigo

Definido (o, a, os, as) — especifica o ser. Indefinido (um, uma, uns, umas) — generaliza.

7. Numeral

Cardinal (um, dois), ordinal (primeiro, segundo), multiplicativo (dobro, triplo), fracionário (metade, terço), coletivo (dezena, dúzia, centena).

8. Preposição

Liga palavras estabelecendo relação entre elas. Essenciais: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Locução prepositiva: "em frente a, a partir de, por causa de, em virtude de".

9. Conjunção — ver seção de conectivos.

10. Interjeição

Expressa emoção. "Ah! Ó! Ei! Cuidado! Parabéns!" Não tem função sintática.

Exercícios — Morfologia

Q9. Em "O delegado determinou que o inquérito fosse concluído rapidamente", a palavra "rapidamente" é um advérbio de:

  • A) Tempo
  • B) Lugar
  • C) Modo
  • D) Intensidade

Q10. Passe para a voz passiva: "A Polícia Civil solucionou o crime." A forma correta é:

  • A) O crime foi solucionado pela Polícia Civil.
  • B) O crime solucionou-se pela Polícia Civil.
  • C) A Polícia Civil foi solucionada pelo crime.
  • D) O crime foi solucionado da Polícia Civil.
Gabarito: Q9-C | Q10-A

5. SINTAXE — TERMOS DA ORAÇÃO E PERÍODO

Termos essenciais da oração

Sujeito: sobre quem ou o que se fala. Concorda com o verbo.

Predicado: o que se diz do sujeito. Pode ser verbal (ação), nominal (estado) ou verbo-nominal (ação + estado).

Termos integrantes (complementam o verbo ou nome)

Termos acessórios

Orações coordenadas — tipos

TipoConjunçõesExemplo
Aditivae, nem, não só...mas tambémChegou cedo e trabalhou muito.
Adversativamas, porém, contudo, todavia, entretantoChegou cedo mas saiu tarde.
Alternativaou, ora...ora, quer...quer, seja...sejaOu ele confessa ou será indiciado.
Conclusivalogo, portanto, então, assim, por issoHavia evidências, portanto foi preso.
Explicativapois (antes do verbo), que, porque, porquantoCuidado, pois há câmeras.

Orações subordinadas — tipos

Substantivas: exercem função de substantivo (sujeito, objeto, complemento nominal).

Subjetiva: "É necessário que o réu compareça." (que o réu compareça = sujeito)
Objetiva direta: "O delegado disse que o caso estava resolvido."
Completiva nominal: "Havia necessidade de que ele fosse ouvido."

Adjetivas: exercem função de adjetivo, modificando um substantivo. Introduzidas por pronomes relativos.

Restritiva (sem vírgula): "O suspeito que fugiu foi recapturado." (não todos, apenas o que fugiu)
Explicativa (com vírgula): "O suspeito, que estava armado, foi detido." (acrescenta informação sobre o único suspeito)

Adverbiais: exercem função de advérbio, indicando circunstância.

Exercícios — Sintaxe

Q11. Em "O delegado que conduziu o caso foi elogiado", a oração "que conduziu o caso" é:

  • A) Subordinada substantiva objetiva direta
  • B) Subordinada adjetiva restritiva
  • C) Subordinada adjetiva explicativa
  • D) Coordenada aditiva

Q12. "Trabalhou muito, logo merece a promoção." O conectivo indica:

  • A) Adição
  • B) Concessão
  • C) Conclusão
  • D) Causa

Q13. Identifique o objeto indireto em: "O agente obedeceu às ordens do delegado":

  • A) O agente
  • B) às ordens do delegado
  • C) do delegado
  • D) às ordens
Gabarito: Q11-B | Q12-C | Q13-B

6. CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL

Concordância Verbal — casos especiais

SituaçãoRegraExemplo
Sujeito coletivoVerbo no singularA equipe chegou.
Coletivo + complemento no pluralVerbo singular ou pluralA maioria dos policiais chegou/chegaram.
Sujeito composto antes do verboVerbo no pluralJoão e Maria foram.
Sujeito composto após o verboPode ficar singular (concorda com o mais próximo)Foram presos o suspeito e a cúmplice. / Foi preso o suspeito e a cúmplice.
"Um dos que"Verbo no pluralEla é uma das que mais trabalham.
"Mais de um" + singularVerbo singularMais de um agente foi convocado.
Verbos impessoais: haver (existir), fazer (tempo)Sempre singular, sem sujeito dois anos. Faz três dias.
Pronome "se" como índice de indeterminaçãoVerbo na 3ª pessoa singularVende-se apartamento.
Pronome "se" como partícula apassivadoraVerbo concorda com o sujeitoVendem-se apartamentos.

Concordância Nominal — casos especiais

SituaçãoRegraExemplo
Adjetivo pós-posto a dois substantivos de gêneros diferentesPlural masculinoComprou carro e moto novos.
Adjetivo ante-posto a dois substantivosConcorda com o mais próximoBoa reputação e comportamento.
"Mesmo", "próprio", "quite", "só" (= sozinho)Concordam com o substantivoElas mesmas resolveram. / Ela está só.
"Só" (= somente) — advérbioInvariávelEla trabalha à noite.
"Anexo", "incluso"Concordam com o substantivoSeguem anexas as fotos.
"Obrigado/a"Concorda com quem falaEle disse "obrigado". Ela disse "obrigada".
"Meio" (= metade) — numeralConcorda: meio litro, meia horaChegou meia hora atrasado.
"Meio" (= um pouco) — advérbioInvariávelEla estava meio nervosa.

Exercícios — Concordância

Q14. Assinale a alternativa com concordância verbal CORRETA:

  • A) Haviam muitas testemunhas no local.
  • B) Fazem cinco anos que ele está na corporação.
  • C) A maioria dos agentes chegou na hora certa.
  • D) Um dos que mais trabalharam foi promovido.

Q15. "Seguem _____ as cópias do relatório." A forma correta de "anexo" é:

  • A) Anexo
  • B) Anexas
  • C) Anexo (invariável)
  • D) Anexados
Gabarito: Q14-C | Q15-B

7. REGÊNCIA, CRASE E COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Regência Verbal — os mais cobrados

VerboRegênciaExemplo correto
assistir (ver/presenciar)aAssisti ao interrogatório.
assistir (auxiliar)Direto (sem prep.)O advogado assistiu o réu.
obedecer / desobedeceraObedeceu ao comando.
responder (cargo/processo)por / aResponde por improbidade.
visar (ter como meta)aVisa à promoção.
visar (assinar/rubricar)DiretoVisou o documento.
aspirar (almejar)aAspira ao cargo.
aspirar (inalar)DiretoAspirou o ar.
implicar (acarretar)Direto (sem prep.)Isso implica responsabilidade.
proceder (dar início a)aProcedeu à investigação.
chegar / iraChegou à delegacia.
custar (ser difícil)aCustou ao delegado agir.

Crase — quando usar

Crase = preposição "a" + artigo "a" (ou pronome "aquela/aquilo"). Usa-se o acento grave (à).

Teste do "ao": substitua a palavra feminina por uma masculina. Se usar "ao" no masculino, usa crase no feminino.

Fui à delegacia. → Fui ao posto. ✓ usa crase.
Fui a Brasília. → Fui a São Paulo. Brasília não tem artigo. NÃO usa crase.
USA craseNÃO usa crase
Antes de palavras femininas com artigo: à escola, à lei, à políciaAntes de verbos: Começou a investigar
Locuções prepositivas femininas: à vista, à toa, às vezes, à medida queAntes de palavras masculinas: a pé, a prazo
Antes de "aquela, aquele, aquilo" → àquela, àquele, àquiloAntes de pronomes pessoais: a ela, a mim
Horas determinadas: às 8h, às 15hAntes de pronomes indefinidos: a qualquer, a nenhuma
Antes de nome de cidade sem artigo: a Curitiba, a Brasília
Sempre usa crase: "às" (plural), "àquela/àquele/àquilo", locuções femininas fixas (à toa, às vezes, à medida que, à beira de, à espera de).

Colocação Pronominal

Próclise (pronome ANTES do verbo): obrigatória nas situações abaixo.

Ênclise (pronome DEPOIS do verbo): usada no início de oração e com infinitivo/gerúndio (sem palavra atrativa).

Início absoluto de frase: "Diga-me a verdade." (nunca "Me diga" no início)
Imperativo afirmativo: "Identifique-se!"
Infinitivo: "É preciso dizê-lo."

Mesóclise (pronome NO MEIO do verbo): usada com futuro do presente e futuro do pretérito, quando não há palavra atrativa.

"Dir-te-ei a verdade." (futuro — direi) — uso literário/formal.

Exercícios — Regência, Crase e Pronome

Q16. Assinale a opção com crase CORRETA:

  • A) Ele foi à pé até a delegacia.
  • B) Entregou o ofício à ela diretamente.
  • C) O agente aspira à promoção.
  • D) Chegou à Brasília ontem à noite.

Q17. Assinale a colocação pronominal correta na norma culta escrita:

  • A) Me disseram que a investigação foi concluída.
  • B) Ninguém me informou sobre o resultado.
  • C) Trouxe-me boas notícias ao chegar.
  • D) Já me falaram sobre o caso.

Q18. "O policial que mais _____ aos superiores foi promovido." O verbo correto é:

  • A) agradou
  • B) agradou a
  • C) desagradou a
  • D) obedeceu
Gabarito: Q16-C | Q17-B | Q18-D (todos obedecem a — Q18 testava regência de "obedecer")

8. SEMÂNTICA — SIGNIFICADO DAS PALAVRAS

Relações entre palavras

Sentido denotativo e conotativo

Denotação: sentido literal, dicionarizado. "O policial estava com as mãos frias."

Conotação: sentido figurado, metafórico. "O investigador tinha mãos de ferro." (= era severo)

Figuras de linguagem

FiguraDefiniçãoExemplo
MetáforaComparação implícita (sem "como")"O agente é uma pedra." (= resistente)
Comparação/SímileComparação explícita (com "como")"Rápido como uma bala."
MetonímiaTroca de um termo por outro com relação lógica"Ler Machado de Assis" (= ler obra de)
AntíteseOposição de ideias"A lei é fria, mas a justiça é humana."
IroniaDiz o contrário do que quer dizer"Que bela investigação!" (quando foi péssima)
HipérboleExagero intencional"Trabalhou mil anos nesse caso."
EufemismoSuaviza ideia desagradável"Ele passou desta para melhor." (morreu)
Pleonasmo viciosoRepetição desnecessária"subir para cima", "entrar dentro"

Exercícios — Semântica

Q19. "O delegado tem pulso firme na condução dos inquéritos." A expressão "pulso firme" usa:

  • A) Denotação
  • B) Pleonasmo
  • C) Conotação / metáfora
  • D) Eufemismo

Q20. Qual alternativa apresenta palavras sinônimas no contexto policial?

  • A) indiciado / absolvido
  • B) interrogatório / depoimento
  • C) mandado / sentença
  • D) réu / vítima
Gabarito: Q19-C | Q20-B

9. REDAÇÃO OFICIAL

Princípios da redação oficial

Todo documento oficial deve ter:

Documentos oficiais — características

DocumentoUsoPronome de tratamento
OfícioComunicação entre órgãos ou com cidadãos (externos)Vossa Senhoria (V.S.ª)
MemorandoComunicação interna — mais ágil e informalCargo (Senhor Chefe, Senhor Delegado)
RelatórioDescrição de atividades, fatos ou resultados de investigaçãoTerceira pessoa
RequerimentoPedido formal do cidadão ao poder públicoVossa Senhoria / Vossa Excelência
PortariaAto normativo interno expedido por autoridadeTerceira pessoa
AtaRegistro de reunião — deve ser fiel ao que ocorreuTerceira pessoa, passado
DespachoDecisão ou instrução exarada em processo administrativoPrimeira pessoa ou terceira

Pronomes de tratamento — resumo

PronomeUsado paraAbreviatura
Vossa ExcelênciaPresidente, Vice, Ministros, Governadores, Senadores, Deputados, Magistrados, ProcuradoresV. Ex.ª
Vossa SenhoriaDemais autoridades: delegados, coronéis, diretores, servidores em geralV. S.ª
Vossa MagnificênciaReitores de universidadesV. Mag.ª
Vossa SantidadePapaV. S.
Concordância com pronomes de tratamento: o pronome é "Vossa" (segunda pessoa) mas o verbo e os adjetivos vão para a terceira pessoa. "Vossa Excelência assinou o documento ontem." (não "assinastes")

Exercícios — Redação Oficial

Q21. O documento oficial usado para comunicação INTERNA entre setores de um mesmo órgão é o:

  • A) Ofício
  • B) Memorando
  • C) Requerimento
  • D) Edital

Q22. O pronome de tratamento correto para se dirigir a um Delegado de Polícia é:

  • A) Vossa Excelência
  • B) Vossa Magnificência
  • C) Vossa Senhoria
  • D) Vossa Majestade
Gabarito: Q21-B | Q22-C

10. TEMPOS E MODOS VERBAIS — PONTO CRÍTICO DO IDECAN

Modos verbais

ModoO que expressaExemplos
IndicativoCerteza, fato realEu fui, tu foste, ele vai
SubjuntivoIncerteza, hipótese, desejoSe eu fosse, espero que vá
ImperativoOrdem, pedidoVá! Fique! Não saia!

Tempos do indicativo — os mais cobrados

TempoUsoExemplo
Pretérito perfeitoAção concluída no passadoO agente prendeu o suspeito.
Pretérito imperfeitoAção contínua/habitual no passadoO delegado investigava todos os dias.
Pretérito mais-que-perfeitoAção anterior a outra ação passadaQuando a polícia chegou, o suspeito já havia fugido.
Futuro do presenteAção futura em relação ao presenteO inquérito será concluído amanhã.
Futuro do pretéritoAção futura em relação ao passado; hipótese; cortesiaEle seria preso se tivesse resistido. / Poderia me ajudar?
Futuro do pretérito para cortesia: em redação oficial, use "poderia" e "gostaria" em vez de "pode" e "quero" — mais formal e educado.

Infinitivo, Gerúndio e Particípio — formas nominais do verbo

Particípio duplo — muito cobrado: Alguns verbos têm dois particípios. O regular usa-se com ter/haver; o irregular com ser/estar.
  • acender: acendido (ter/haver) / aceso (ser/estar)
  • prender: prendido (ter/haver) / preso (ser/estar)
  • soltar: soltado (ter/haver) / solto (ser/estar)
  • matar: matado (ter/haver) / morto (ser/estar)
  • salvar: salvado (ter/haver) / salvo (ser/estar)
Ex.: "A polícia havia prendido o suspeito" (prendido = aux. havia) | "O suspeito foi preso" (preso = voz passiva com ser)

Pontuação — regras essenciais

SinalQuando usarExemplo
VírgulaIsolar aposto, vocativo, adjunto adverbial deslocado, orações intercaladas, enumerações"O agente, cansado, continuou." / "Ontem, choveu."
Vírgula proibidaEntre sujeito e predicado; entre verbo e complemento sem inversão❌ "O policial, prendeu o suspeito."
Ponto e vírgulaSeparar orações coordenadas longas; separar itens de enumeração com vírgulas internas"João estudou muito; Maria, pouco."
Dois-pontosAntes de citação, enumeração, explicação"O delegado determinou: arquivar o caso."
AspasCitação direta, ironia, palavras em sentido especial"Ele é um 'gênio' da investigação." (ironia)

Exercícios — Verbos e Pontuação

Q21-A. "Quando o delegado chegou, o suspeito já _____ fugido." O tempo verbal correto é:

  • A) tinha (pretérito imperfeito do indicativo)
  • B) teria (futuro do pretérito)
  • C) tinha (pretérito mais-que-perfeito composto)
  • D) tem (presente)

Q21-B. Assinale a frase com uso CORRETO do particípio:

  • A) O suspeito foi prendido pelo agente.
  • B) O inquérito havia sido abrido.
  • C) O suspeito tinha prendido o cúmplice antes de fugir.
  • D) O delegado foi elegido pela corporação.

Q21-C. Em qual alternativa a vírgula está INCORRETAMENTE usada?

  • A) O delegado, exausto, concluiu o inquérito.
  • B) João estudou muito; Maria, pouco.
  • C) O policial, prendeu o suspeito ontem.
  • D) Ontem, a operação foi bem-sucedida.
Q21-A: C (pretérito mais-que-perfeito — ação anterior à outra passada) | Q21-B: C (com ter/haver = particípio regular "prendido"; com ser/estar = irregular "preso") | Q21-C: C (vírgula entre sujeito e predicado é errada)

GABARITO GERAL — LÍNGUA PORTUGUESA

QResp.Tema
Q1BInterpretação — inferência
Q2CInterpretação — conectivo de tempo
Q3AOrtografia — hífen (anti-inflamatório)
Q4BOrtografia — parônimos (discrição)
Q5BOrtografia — parônimos (iminente)
Q6BCoesão — consequência (por isso)
Q7CCoesão — concessão (embora)
Q8BCoesão — referência (Esta = a operação)
Q9CMorfologia — advérbio de modo
Q10AMorfologia — voz passiva
Q11BSintaxe — adjetiva restritiva
Q12CSintaxe — conclusão (logo)
Q13BSintaxe — objeto indireto
Q14CConcordância verbal — maioria
Q15BConcordância nominal — anexas
Q16CCrase — aspirar à
Q17BPronome — próclise com "ninguém"
Q18DRegência — obedecer a
Q19CSemântica — conotação
Q20BSemântica — sinônimos
Q21BRedação oficial — memorando
Q22CRedação oficial — Vossa Senhoria
Q21-ACPretérito mais-que-perfeito composto
Q21-BCParticípio regular com ter/haver
Q21-CCVírgula entre sujeito e predicado = errado
2

TI, SEGURANÇA CIBERNÉTICA E CRIMES DIGITAIS

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
20 questões na prova — maior peso junto com Português
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. REDES DE COMPUTADORES

Tipos de rede

TipoExtensãoExemplo
LAN (Local)Sala, prédio, campusRede da delegacia
MAN (Metropolitana)CidadeRede que liga delegacias da capital
WAN (Mundial)País, continente, mundoInternet
P2P (Ponto a ponto)Qualquer tamanhoBitTorrent, compartilhamento direto

Endereçamento IP

Portas lógicas

PortaProtocolo/Serviço
20/21FTP (transferência de arquivos)
22SSH / SFTP (acesso seguro / FTP criptografado)
25SMTP (envio de e-mail)
53DNS (resolução de nomes)
80HTTP (navegação sem criptografia)
110POP3 (recebimento de e-mail)
143IMAP (e-mail sincronizado)
443HTTPS (navegação com criptografia)
3389RDP (área de trabalho remota Windows)

Protocolos essenciais

ProtocoloFunção
TCPConfiável — garante entrega e ordem dos pacotes. Handshake (SYN-SYN/ACK-ACK).
UDPRápido mas não confiável — sem confirmação. Usado em vídeo ao vivo, jogos, VoIP.
DNSTraduz nomes (google.com) em IPs. É a "agenda telefônica da internet".
DHCPDistribui IPs automaticamente na rede local.
VPNCria túnel criptografado — "esconde" o tráfego e mascara o IP real.
VoIPVoz sobre IP — ligações pela internet (WhatsApp, Skype).
SNMPGerenciamento de dispositivos de rede.

Exercícios — Redes

Q1. A porta padrão do protocolo HTTPS é:

  • A) 80
  • B) 21
  • C) 443
  • D) 22

Q2. O CGNAT dificulta a identificação do usuário pois:

  • A) Usa criptografia de ponta a ponta
  • B) Vários assinantes compartilham o mesmo IP público
  • C) Mascara o MAC address do dispositivo
  • D) Oculta o DNS do usuário
Gabarito: Q1-C | Q2-B

2. DEEP WEB, DARK WEB E NAVEGAÇÃO ANÔNIMA

As camadas da internet

Tor (The Onion Router)

Navegador que roteia o tráfego por múltiplos nós (relays), criptografando cada camada. Cada nó conhece apenas o anterior e o próximo — nenhum nó conhece origem e destino ao mesmo tempo.

Sites da Dark Web usam o domínio .onion (não acessível por navegador comum).

Para investigação: o Tor não é impenetrável. Técnicas de correlação de tráfego, comprometimento de nós de saída e erros operacionais dos usuários podem revelar sua identidade.

Identificação de usuários na internet

  1. IP + data + hora + porta: identifica o assinante no provedor de acesso.
  2. Conta + login: identifica o usuário no provedor de aplicação (Facebook, Google).
  3. Cookies: arquivos armazenados no navegador que identificam o usuário em visitas futuras.
  4. Fingerprinting: identificação pelo conjunto de características do navegador/sistema.
  5. Geolocalização: por GPS, IP, ERB celular ou Wi-Fi próximo.

Exercícios — Deep/Dark Web

Q3. A Deep Web é:

  • A) Exclusivamente usada para fins criminosos
  • B) A parte da internet não indexada por buscadores, incluindo conteúdos privados e legítimos
  • C) Sinônimo de Dark Web
  • D) Acessível apenas com o navegador Tor

Q4. O navegador Tor oferece anonimato por meio de:

  • A) Criptografia simétrica de chave única
  • B) Roteamento do tráfego por múltiplos nós com criptografia em camadas
  • C) Uso de endereços IPv6 exclusivos
  • D) Bloqueio automático de cookies
Gabarito: Q3-B | Q4-B

3. SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Pilares — CIA / CID

Malwares — guia completo

MalwareComo agePropagação
VírusInfecta arquivos e se replica quando executadosPrecisa de ação do usuário
WormSe replica sozinho pela redeAutomática — explora vulnerabilidades
Trojan (Cavalo de Troia)Parece legítimo; cria backdoorDownload de software falso
RansomwareCriptografa arquivos; pede resgate em criptomoedaPhishing, anexos, exploits
SpywareMonitora e envia dados da vítimaDownloads, software bundled
AdwareExibe propagandas indesejadasSoftware gratuito com anúncios
RootkitEsconde-se no sistema; dá acesso root ao atacanteExploits, Trojans
KeyloggerRegistra teclas digitadas (senhas, mensagens)Spyware, hardware físico
BotnetRede de zumbis controlados remotamenteWorms, Trojans
ExploitCódigo que explora vulnerabilidade específicaAtaques direcionados

Tipos de ataque

Ferramentas de defesa

Exercícios — Segurança

Q5. Um malware que criptografa os arquivos da vítima e exige pagamento para descriptografá-los é um:

  • A) Spyware
  • B) Worm
  • C) Ransomware
  • D) Adware

Q6. A autenticação multifator aumenta a segurança porque:

  • A) Exige senhas mais longas e complexas
  • B) Requer dois ou mais fatores de verificação distintos, dificultando o acesso não autorizado mesmo com a senha comprometida
  • C) Criptografa os dados do usuário automaticamente
  • D) Bloqueia ataques de phishing
Gabarito: Q5-C | Q6-B

4. TELECOMUNICAÇÕES E IDENTIFICAÇÃO CELULAR

Arquitetura de redes celulares

O território é dividido em células hexagonais. Cada célula tem uma ERB (Estação Rádio Base) — a "torre de celular" — que gerencia a comunicação dos dispositivos móveis na sua área.

Quando você se move, seu celular faz o handover (handoff) — transferência automática de uma ERB para outra, sem interrupção.

Gerações da telefonia celular

GeraçãoCaracterísticaTecnologia
1GVoz analógicaAMPS
2GVoz digital + SMSGSM, CDMA
3GInternet básicaUMTS, HSPA
4G/LTEInternet rápida, vídeo streamingLTE-Advanced
5GUltra-rápido, IoT, baixíssima latênciaNR (New Radio)

Identificação de usuários em celulares

Na investigação: com o IMEI é possível rastrear um aparelho mesmo com o chip trocado. Com o IMSI rastreia-se o chip mesmo com aparelho trocado. Ambos podem ser solicitados à operadora com ordem judicial.

Exercícios — Telecom

Q7. O número que identifica unicamente o aparelho celular, independentemente do chip, é o:

  • A) IMSI
  • B) MSISDN
  • C) IMEI
  • D) ERB

Q8. A localização aproximada de um suspeito pode ser determinada verificando-se:

  • A) O número IMEI do aparelho
  • B) A qual ERB (Estação Rádio Base) o celular estava conectado
  • C) O modelo do aparelho utilizado
  • D) O plano de serviço contratado
Gabarito: Q7-C | Q8-B

5. INVESTIGAÇÃO DIGITAL E CRIPTOGRAFIA

Hash criptográfico

Função matemática que transforma qualquer dado em uma sequência de tamanho fixo (impressão digital digital). Propriedades:

AlgoritmoTamanho do hashStatus
MD5128 bits (32 hex)Obsoleto (colisões conhecidas), ainda usado em forense
SHA-1160 bits (40 hex)Obsoleto para segurança
SHA-256256 bits (64 hex)Amplamente usado, seguro
SHA-3VariávelMais recente, muito seguro
Uso na forense: o perito calcula o hash do dispositivo original e da cópia forense. Se os hashes forem iguais, a cópia é idêntica ao original — prova de integridade.

Metadados

"Dados sobre os dados" — não são o conteúdo, mas informações sobre ele.

ArquivoMetadados típicos
Fotografia (EXIF)Data/hora, localização GPS, modelo da câmera, configurações (ISO, abertura)
Documento Word/PDFAutor, data de criação, data de modificação, software usado, histórico de edições
E-mailIP de origem, servidores por onde passou (cabeçalho), data/hora, cliente de e-mail
VídeoDuração, codec, resolução, data de criação, dispositivo
Cuidado: metadados podem ser apagados ou falsificados. O perito deve verificar a consistência entre metadados e outros indicadores.

Criptografia

Simétrica: mesma chave para criptografar e descriptografar. Rápida, mas o desafio é compartilhar a chave com segurança. Algoritmos: AES, DES, 3DES.

Assimétrica (chave pública): par de chaves — pública (todos podem saber) e privada (só o dono). O que uma criptografa, só a outra descriptografa. Algoritmos: RSA, ECC.

End-to-End Encryption (E2EE): as chaves ficam nos dispositivos dos usuários — o servidor intermediário não tem acesso. Usado no WhatsApp (Protocolo Signal), Signal, iMessage.

Implicação investigativa: provedores como WhatsApp não conseguem fornecer o conteúdo das mensagens, apenas metadados (quem falou com quem, quando, frequência).

Cadeia de custódia digital

Conjunto de procedimentos que documenta cada passo do manuseio da evidência digital:

  1. Reconhecimento e identificação
  2. Isolamento (evitar contaminação — modo avião, bloqueador de Faraday para celulares)
  3. Fixação (fotografar, filmar o estado original)
  4. Coleta (cópia forense bit a bit — preserva deletados, metadados)
  5. Hash do original e da cópia
  6. Acondicionamento (embalagem antiestática)
  7. Transporte e recebimento com documentação
  8. Processamento em laboratório forense
  9. Armazenamento em local seguro
  10. Descarte conforme normas

Exercícios — Investigação Digital

Q9. Na forense digital, o código hash é utilizado para:

  • A) Criptografar as provas durante o transporte
  • B) Verificar que a cópia forense é idêntica ao original, garantindo a integridade
  • C) Identificar o suspeito pelo IP
  • D) Descriptografar mensagens do WhatsApp

Q10. Os metadados EXIF de uma fotografia podem revelar:

  • A) Apenas o autor da foto
  • B) O conteúdo do arquivo em formato legível
  • C) Data, hora, localização GPS e modelo do dispositivo que capturou a imagem
  • D) O nome do arquivo criptografado
Gabarito: Q9-B | Q10-C

6. IA, CRIPTOATIVOS E CRIMES DIGITAIS

Inteligência Artificial aplicada à investigação

Bitcoin e Blockchain

Bitcoin (BTC): criado em 2009. Moeda descentralizada — sem banco central, sem intermediários.

Blockchain: livro-razão distribuído e imutável. Cada bloco contém transações + hash do bloco anterior. Para alterar um bloco seria necessário recalcular todos os seguintes — computacionalmente inviável.

Crimes com criptoativos e rastreamento

Marco Civil da Internet — Lei 12.965/2014

Crimes digitais — tipos e legislação

CrimeLei/Art.Pena
Invasão de dispositivo informáticoArt. 154-A CP (Lei 12.737/2012)1 a 4 anos + multa. Com divulgação: até 5 anos.
Interrupção de serviço informáticoArt. 266 §1° CP1 a 5 anos
Falsidade informáticaArt. 313-A CP3 a 12 anos (funcionário público)
Estelionato digitalArt. 171 CP1 a 5 anos

Exercícios — Crimes Digitais e Marco Civil

Q11. Pelo Marco Civil da Internet, o prazo que os provedores de APLICAÇÃO devem manter os registros de acesso é de:

  • A) 1 ano
  • B) 6 meses
  • C) 2 anos
  • D) 90 dias

Q12. A técnica de "tumbling" de criptomoedas é utilizada para:

  • A) Converter Bitcoin em dinheiro físico
  • B) Criar novas criptomoedas
  • C) Dificultar o rastreamento da origem dos criptoativos
  • D) Aumentar a velocidade das transações

Q13. Um deepfake é:

  • A) Um tipo de malware que clona perfis em redes sociais
  • B) Conteúdo de vídeo ou áudio sintético criado por inteligência artificial para simular uma pessoa real
  • C) Uma técnica de phishing por vídeo
  • D) Um protocolo de anonimização de tráfego
Gabarito: Q11-B | Q12-C | Q13-B

7. CLOUD, IoT, LGPD E REDES SOCIAIS NA INVESTIGAÇÃO

Computação em Nuvem (Cloud Computing)

Modelo de serviçoO que ofereceExemplo
IaaS (Infrastructure as a Service)Infraestrutura de TI — servidores, armazenamento, redeAWS EC2, Google Compute, Azure
PaaS (Platform as a Service)Plataforma para desenvolver/implantar appsGoogle App Engine, Heroku
SaaS (Software as a Service)Software pronto via internetGmail, Office 365, Salesforce
Tipo de nuvemDescrição
PúblicaInfraestrutura compartilhada — gerida pelo provedor, acesso por internet
PrivadaExclusiva de uma organização — maior controle e segurança
HíbridaCombinação de pública + privada
ComunitáriaCompartilhada entre organizações com interesses comuns
Na investigação: dados na nuvem estão sob jurisdição do país onde o servidor está hospedado. Para obter dados de provedores estrangeiros, pode ser necessário MLAT (Tratado de Assistência Jurídica Mútua) ou ordens judiciais reconhecidas internacionalmente.

IoT — Internet das Coisas

Objetos do cotidiano conectados à internet: câmeras IP, smart TVs, geladeiras, carros conectados, wearables, fechaduras inteligentes.

LGPD (Lei 13.709/2018) aplicada à investigação policial

Golpes digitais mais comuns — conhecimento para a investigação

GolpeComo funcionaEnquadramento penal
PhishingE-mail/site falso imita banco ou empresa para roubar dadosEstelionato (art. 171 CP) / Invasão de dispositivo
Golpe do WhatsAppCriminoso clona número e pede dinheiro aos contatosEstelionato + falsa identidade (art. 307)
Golpe do PixTransferência sob pressão/coação ou site falso de bancoEstelionato / Extorsão
SextorsãoCriminoso obtém foto/vídeo íntimo e extorque a vítimaExtorsão (art. 158) + Exposição de nudez (Marco Civil)
Golpe do amor/romance scamCria relacionamento falso online para obter dinheiroEstelionato
Ransomware corporativoCriptografa dados de empresa, exige resgate em criptoExtorsão + Dano / Interrupção de serviço (art. 266)
Fake news com crimeDesinformação para manipulação eleitoral/institucionalLei 14.197/2021 (crimes contra o Estado Democrático)

Investigação em redes sociais

Exercícios — Cloud, IoT e Golpes Digitais

Q14. No modelo de computação em nuvem, o Gmail é um exemplo de:

  • A) IaaS
  • B) PaaS
  • C) SaaS
  • D) Nuvem privada

Q15. A LGPD prevê exceção ao tratamento de dados pessoais para fins de segurança pública e investigação criminal. Isso significa que:

  • A) A polícia pode tratar qualquer dado sem nenhuma restrição
  • B) Os dados tratados para fins de segurança devem ser usados apenas para as finalidades previstas em lei
  • C) A LGPD não se aplica ao serviço público
  • D) Dados biométricos podem ser coletados livremente pela polícia

Q16. A técnica de OSINT (Open Source Intelligence) na investigação digital consiste em:

  • A) Interceptação de mensagens privadas mediante ordem judicial
  • B) Acesso ao histórico de conversas no servidor da empresa
  • C) Coleta de informações de fontes abertas e públicas, sem necessidade de autorização judicial
  • D) Quebra de criptografia de dispositivos apreendidos

Q17. A Lei 12.737/2012 (Lei Carolina Dieckmann) tipificou como crime:

  • A) A falsificação de documentos digitais
  • B) A invasão de dispositivo informático alheio
  • C) O uso de deepfakes em crimes de extorsão
  • D) O compartilhamento de senhas

Q18. Em um golpe de sextorsão, o criminoso que ameaça divulgar imagens íntimas para obter dinheiro comete o crime de:

  • A) Furto qualificado
  • B) Difamação
  • C) Extorsão
  • D) Estelionato

Q19. Dispositivos IoT (Internet das Coisas) são frequentemente vulneráveis porque:

  • A) Usam sempre criptografia militar
  • B) Não se conectam à internet
  • C) Costumam ter senhas padrão fracas e firmware desatualizado, sendo alvos fáceis de ataques
  • D) Operam apenas em redes privadas isoladas

Q20. Para obter dados de conteúdo de mensagens privadas armazenadas em servidor de empresa estrangeira, a polícia brasileira pode precisar de:

  • A) Apenas requisição do delegado ao provedor
  • B) MLAT — Tratado de Assistência Jurídica Mútua — ou cooperação internacional
  • C) Autorização do Ministério Público federal
  • D) Requerimento da vítima ao provedor
Gabarito: Q14-C | Q15-B | Q16-C | Q17-B | Q18-C | Q19-C | Q20-B

GABARITO GERAL — TI

QResp.Tema
Q1CPorta HTTPS = 443
Q2BCGNAT — compartilhamento de IP
Q3BDeep Web — conteúdos privados legítimos
Q4BTor — roteamento em cebola
Q5CRansomware
Q6BMFA — múltiplos fatores
Q7CIMEI = aparelho
Q8BERB = localização
Q9BHash = integridade da prova
Q10CEXIF = metadados da foto
Q11BMarco Civil — aplicação = 6 meses
Q12CTumbling = dificultar rastreamento
Q13BDeepfake = IA sintética
Q14CGmail = SaaS
Q15BLGPD — finalidade legal na segurança pública
Q16COSINT = fontes abertas, sem ordem judicial
Q17BLei 12.737 = invasão de dispositivo
Q18CSextorsão = extorsão
Q19CIoT = senhas padrão fracas, firmware desatualizado
Q20BDados no exterior = MLAT / cooperação internacional
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RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
15 questões na prova
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. LÓGICA PROPOSICIONAL

Proposição

Proposição é uma frase declarativa que pode ser verdadeira (V) ou falsa (F). Não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Exemplos: "Santa Catarina é um estado brasileiro." (V) | "2 + 2 = 5" (F)

Não são proposições: perguntas ("Que horas são?"), ordens ("Feche a porta!"), exclamações ("Que beleza!").

Tabela verdade dos conectivos

pq¬p (NÃO)p∧q (E)p∨q (OU incl.)p→q (SE...ENTÃO)p↔q (SE E SÓ SE)
VVFVVVV
VFFFVFF
FVVFVVF
FFVFFVV
Memorize:
  • Conjunção (E): V somente quando AMBAS são V.
  • Disjunção (OU): F somente quando AMBAS são F.
  • Condicional (SE...ENTÃO): F somente quando p=V e q=F (hipótese verdadeira, conclusão falsa).
  • Bicondicional: V quando p e q têm o MESMO valor (ambas V ou ambas F).

Negação das proposições compostas (Leis de De Morgan)

¬(p ∧ q) ≡ ¬p ∨ ¬q     |     ¬(p ∨ q) ≡ ¬p ∧ ¬q

Em português:

Equivalências do condicional — MUITO COBRADO

p → q ≡ ¬p ∨ q ≡ ¬q → ¬p
FormaExpressãoEquivalente a p→q?
DiretaSe p, então q.SIM (é ela mesma)
ContrapositivaSe não q, então não p. (¬q→¬p)SIM — equivalente
RecíprocaSe q, então p. (q→p)NÃO — não equivalente
InversaSe não p, então não q. (¬p→¬q)NÃO — não equivalente
Macete: a contrapositiva é sempre equivalente à condicional original. A recíproca e a inversa NÃO são equivalentes.

Negação do condicional

¬(p → q) ≡ p ∧ ¬q

"Não é verdade que se estuda então passa." = "Estuda E não passa."

Negação de proposições com quantificadores

Proposição originalNegação
Todo A é B. (∀)Algum A não é B. (∃)
Algum A é B. (∃)Nenhum A é B. (∀ negado)
Nenhum A é B.Algum A é B.
Existe pelo menos um A que é B.Nenhum A é B.

Exercícios — Lógica Proposicional

Q1. A proposição "p → q" é falsa apenas quando:

  • A) p é falsa e q é falsa
  • B) p é falsa e q é verdadeira
  • C) p é verdadeira e q é falsa
  • D) p é verdadeira e q é verdadeira

Q2. A negação de "Todos os suspeitos foram identificados" é:

  • A) Nenhum suspeito foi identificado.
  • B) Alguns suspeitos foram identificados.
  • C) Pelo menos um suspeito não foi identificado.
  • D) Todos os suspeitos foram liberados.

Q3. A contrapositiva de "Se chove, então o piso fica molhado" é:

  • A) Se não chove, o piso não fica molhado.
  • B) Se o piso fica molhado, então chove.
  • C) Se o piso não fica molhado, então não chove.
  • D) Se não chove, o piso fica seco.

Q4. Dado que p=V e q=F, qual o valor de ¬p ∨ q?

  • A) V
  • B) F
  • C) Indeterminado
  • D) V e F simultaneamente
Gabarito: Q1-C | Q2-C | Q3-C | Q4-B (¬V=F; F∨F=F)

2. LÓGICA DE ARGUMENTAÇÃO

Argumento válido

Um argumento é formado por premissas (P1, P2...) e uma conclusão (C). É válido quando a conclusão decorre necessariamente das premissas.

Silogismo: argumento com duas premissas e uma conclusão.

P1: Todo policial tem formação jurídica. P2: Carlos é policial. Conclusão: Carlos tem formação jurídica. ✓ VÁLIDO
P1: Alguns policiais são detalhistas. P2: João é policial. Conclusão: João é detalhista. ✗ INVÁLIDO — "alguns" não garante que João seja.

Deduções a partir de proposições categóricas

Se você sabe que...Pode concluir que...
Todo A é B (e x é A)x é B
Nenhum A é B (e x é A)x não é B
Todo A é B (e x não é B)x não é A (contrapositiva)
Algum A é BExiste pelo menos um A que é B — NÃO diz que todos são

Raciocínio por eliminação

Muito cobrado em provas com situações do tipo "quem fez o quê?". Método:

  1. Liste todas as possibilidades em uma tabela.
  2. Use cada informação para eliminar opções impossíveis.
  3. O que sobrar é a resposta.

Exercícios — Argumentação

Q5. "Todo crime deixa vestígios. Este local não tem vestígios. Logo, aqui não ocorreu um crime." Esse argumento é:

  • A) Inválido, pois a premissa é falsa.
  • B) Válido, pois a conclusão decorre logicamente das premissas.
  • C) Inválido, pois a conclusão contradiz as premissas.
  • D) Válido apenas se o investigador confirmar.

Q6. "Alguns agentes são especialistas em crimes digitais. Marcos é agente." O que se pode concluir com certeza?

  • A) Marcos é especialista em crimes digitais.
  • B) Marcos não é especialista em crimes digitais.
  • C) Não se pode concluir se Marcos é ou não especialista.
  • D) Todos os agentes são especialistas em crimes digitais.
Gabarito: Q5-B | Q6-C

3. CONJUNTOS, PORCENTAGEM E MATEMÁTICA BÁSICA

Conjuntos e operações

|A∪B| = |A| + |B| − |A∩B|

Exemplo: 40 policiais. 25 falam inglês. 18 falam espanhol. 10 falam os dois.

|A∪B| = 25 + 18 − 10 = 33 falam pelo menos um idioma. Falam nenhum: 40 − 33 = 7.

Porcentagem

Porcentagem = fração de 100. 30% = 30/100 = 0,30.

Variação percentual: ((valor final − valor inicial) / valor inicial) × 100

Regra de três

Direta: ao aumentar um, o outro aumenta na mesma proporção.

5 policiais fazem o serviço em 10 dias. 10 policiais fazem em quanto? → 10/5 × 10... ERRADO — é inversa! (mais policiais = menos dias)
Direta: 5 policiais patrulham 10 km. 8 policiais patrulham quanto? 5→10, 8→x. x = 8×10/5 = 16 km.

Inversa: ao aumentar um, o outro diminui.

5 policiais terminam em 10 dias. 10 policiais terminam em: 5×10 = 10×x → x = 5 dias.

Juros

Juros simples: J = C × i × t | M = C(1 + i×t)

R$ 1.000 por 3 meses a 2%/mês: J = 1000 × 0,02 × 3 = R$ 60. M = 1.060.

Juros compostos: M = C × (1+i)^n

R$ 1.000 por 2 anos a 10%/ano: M = 1000 × (1,10)² = 1000 × 1,21 = R$ 1.210.

Exercícios — Conjuntos e Matemática

Q7. Em uma delegacia com 50 agentes, 30 sabem dirigir moto, 20 sabem dirigir caminhão e 8 sabem os dois. Quantos não sabem dirigir nenhum dos dois?

  • A) 6
  • B) 8
  • C) 10
  • D) 12

Q8. Um item custava R$200. Teve aumento de 10% e depois desconto de 10%. Quanto custa agora?

  • A) R$200,00
  • B) R$198,00
  • C) R$196,00
  • D) R$202,00

Q9. R$5.000 aplicados por 4 meses a juros simples de 3% ao mês rendem:

  • A) R$450
  • B) R$600
  • C)R$650
  • D) R$700
Gabarito: Q7-B (30+20−8=42; 50−42=8) | Q8-B (200×1,10=220; 220×0,90=198) | Q9-B (5000×0,03×4=600)

4. ESTATÍSTICA, PROGRESSÕES E GEOMETRIA

Estatística Básica

Média aritmética simples: soma ÷ quantidade.

Notas: 5, 7, 8, 6, 9. Soma=35. Qtd=5. Média = 35/5 = 7,0

Média ponderada: cada valor tem um peso. M = (Σ valor × peso) / Σ peso.

Prova 1 (peso 2)=6; Prova 2 (peso 3)=8. M = (6×2 + 8×3)/(2+3) = (12+24)/5 = 36/5 = 7,2

Moda: valor que mais aparece. 2,3,3,4,5,3 → moda = 3. Pode haver mais de uma moda (bimodal) ou nenhuma.

Mediana: valor central quando os dados estão ordenados.

Desvio padrão (σ): mede a dispersão dos dados em torno da média. Alto = dados espalhados. Baixo = dados concentrados.

Progressão Aritmética (PA)

Sequência onde a diferença entre termos consecutivos é constante (razão r).

PA: 2, 5, 8, 11, ... → r = 3. a₁₀ = 2 + 9×3 = 29. S₁₀ = 10×(2+29)/2 = 155.

Progressão Geométrica (PG)

Sequência onde a razão entre termos consecutivos é constante (razão q).

PG: 3, 6, 12, 24, ... → q = 2. a₅ = 3 × 2⁴ = 48.

Geometria

Ângulos: reto=90°, agudo<90°, obtuso entre 90° e 180°, raso=180°, completo=360°.

Triângulos: soma interna = 180°.

Áreas:

FiguraFórmula
QuadradoA = L²
RetânguloA = base × altura
TriânguloA = (base × altura) / 2
ParalelogramoA = base × altura
TrapézioA = (B + b) × h / 2
CírculoA = π × r² (π ≈ 3,14)
Circunferência (perímetro)C = 2πr

Teorema de Pitágoras: c² = a² + b² (triângulo retângulo).

Ternas pitagóricas comuns: (3,4,5), (5,12,13), (6,8,10), (8,15,17).

Plano Cartesiano

Exercícios — Estatística e Geometria

Q10. As notas de um aluno foram: 4, 6, 7, 8, 10. A mediana é:

  • A) 6
  • B) 7
  • C) 7,5
  • D) 8

Q11. Qual é o 8° termo da PA: 3, 7, 11, 15, ...?

  • A) 27
  • B) 29
  • C) 31
  • D) 33

Q12. Um terreno retangular tem 15m de largura e 20m de comprimento. Sua área é:

  • A) 35 m²
  • B) 70 m²
  • C) 300 m²
  • D) 600 m²
Gabarito: Q10-B | Q11-C (a₈=3+7×4=3+28=31) | Q12-C (15×20=300)

5. CONTAGEM, PROBABILIDADE E MEDIDAS

Princípio Fundamental da Contagem

Se há m maneiras de fazer a 1ª etapa e n maneiras de fazer a 2ª, o total de formas de fazer ambas é m × n.

Senhas de 3 dígitos (cada um de 0 a 9): 10 × 10 × 10 = 1.000 senhas possíveis.

Fatorial, Arranjo e Combinação

Fatorial: n! = n × (n−1) × ... × 2 × 1. Exemplo: 5! = 120. Por definição: 0! = 1.

Arranjo (a ordem IMPORTA):

A(n,p) = n! / (n−p)!

Combinação (a ordem NÃO importa):

C(n,p) = n! / [p! × (n−p)!]
De 8 policiais, quantas equipes de 3 podem ser formadas? C(8,3) = 8!/(3!×5!) = (8×7×6)/(3×2×1) = 56 equipes.

Probabilidade

P(A) = nº de casos favoráveis / nº de casos possíveis

Probabilidade sempre entre 0 (impossível) e 1 (certeza).

Baralho de 52 cartas — P(rei) = 4/52 = 1/13 ≈ 7,7%.
Dado de 6 faces — P(número par) = 3/6 = 1/2 = 50%.

Conversões de Medidas

ComprimentoÁreaVolume
1 km = 1.000 m
1 m = 100 cm
1 m = 1.000 mm
1 cm = 10 mm
1 km² = 1.000.000 m²
1 m² = 10.000 cm²
1 ha = 10.000 m²
1 m³ = 1.000 litros
1 litro = 1.000 ml
1 litro = 1 dm³
MassaTempo
1 t = 1.000 kg | 1 kg = 1.000 g | 1 g = 1.000 mg 1 dia = 24h | 1h = 60 min | 1 min = 60 s

Gráficos e Tabelas

Como calcular variação em gráficos: aumento % = (valor final − valor inicial) ÷ valor inicial × 100.

Exercícios — Contagem e Probabilidade

Q13. De 6 candidatos para uma comissão de 2 membros, quantas comissões distintas podem ser formadas?

  • A) 12
  • B) 15
  • C) 18
  • D) 30

Q14. Uma urna tem 4 bolas vermelhas e 6 azuis. Qual a probabilidade de sortear uma azul?

  • A) 4/10
  • B) 6/4
  • C) 6/10
  • D) 3/10

Q15. Um policial percorre 2,5 km = _____ metros.

  • A) 25 m
  • B) 250 m
  • C) 2.500 m
  • D) 25.000 m
Gabarito: Q13-B (C(6,2)=15) | Q14-C (6/10=3/5=60%) | Q15-C

6. RACIOCÍNIO ANALÍTICO E SEQUÊNCIAS

Sequências numéricas — como resolver

Observe a diferença entre os termos. Se a diferença for constante → PA. Se a razão for constante → PG. Se nem um nem outro, tente diferenças de diferenças (segunda diferença) ou padrões alterados.

SequênciaPadrãoPróximo termo
2, 4, 8, 16, ...PG com q=232
1, 4, 9, 16, 25, ...Quadrados perfeitos (1², 2², 3², ...)36
1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, ...Fibonacci: cada termo = soma dos dois anteriores21
3, 6, 10, 15, 21, ...Diferenças: +3, +4, +5, +6, ... (segunda diferença constante)28
2, 5, 10, 17, 26, ...n²+1 (1+1, 4+1, 9+1, 16+1, 25+1)37

Tabela lógica — eliminação e cruzamento

Para resolver problemas do tipo "João, Maria e Carlos têm profissões X, Y, Z — quem é quem?", use tabela de cruzamento:

  1. Crie uma tabela com pessoas nas linhas e características nas colunas.
  2. Quando uma informação for VERDADEIRA, marque ✓. Quando for falsa, marque ✗.
  3. Se uma célula é ✓, toda a linha e coluna correspondente é ✗ (exclusividade).
  4. Elimine as impossibilidades até chegar nas certezas.
Exemplo rápido: Maria não é médica. Carlos é engenheiro. Logo: Carlos=engenheiro ✓ (João e Maria ✗ para engenheiro). Maria≠médica → Maria é advogada. João=médica. Resolução por eliminação.

Velocidade, distância e tempo

Velocidade (V) = Distância (D) / Tempo (T)  →  D = V × T  →  T = D / V
DadoCálculo
Carro a 60 km/h por 2hD = 60 × 2 = 120 km
Distância 150 km a 50 km/hT = 150 / 50 = 3 horas
150 km em 2hV = 150 / 2 = 75 km/h
Atenção às unidades: se a velocidade está em km/h e o tempo em minutos, converta: 30 min = 0,5h. Se velocidade em m/s, distância em m, tempo em s.

Média ponderada com pesos iguais e variados

Quando todos os pesos são iguais → média aritmética simples. Quando os pesos diferem → média ponderada.

Policial com 3 avaliações: desempenho (peso 3) = 8,0 ; disciplina (peso 2) = 7,0 ; assiduidade (peso 1) = 9,0. Média = (8×3 + 7×2 + 9×1) / (3+2+1) = (24+14+9)/6 = 47/6 ≈ 7,83.

Exercícios — Raciocínio Analítico

Q14-A. Na sequência 1, 1, 2, 3, 5, 8, ___, o próximo número é:

  • A) 11
  • B) 12
  • C) 13
  • D) 14

Q14-B. Um policial percorreu 240 km em 3 horas. Qual foi sua velocidade média?

  • A) 60 km/h
  • B) 70 km/h
  • C) 80 km/h
  • D) 90 km/h

Q14-C. Carlos, Ana e Bruno exercem as funções de delegado, escrivão e papiloscopista. Ana não é escrivã. Bruno não é delegado. Carlos é papiloscopista. Quem é o delegado?

  • A) Carlos
  • B) Ana
  • C) Bruno
  • D) Não é possível determinar
Q14-A: C (5+8=13) | Q14-B: C (240/3=80) | Q14-C: B (Carlos=papiloscopista; Bruno≠delegado → Bruno=escrivão; Ana=delegada)

GABARITO GERAL — RACIOCÍNIO LÓGICO

QResp.Tema
Q1CCondicional falsa quando p=V e q=F
Q2CNegação de "todos" = "existe pelo menos um que não"
Q3CContrapositiva: ¬q→¬p
Q4B¬V=F; F∨F=F
Q5BModus tollens — argumento válido
Q6C"Alguns" não garante conclusão sobre indivíduo
Q7B30+20−8=42; 50−42=8
Q8B200×1,10=220; 220×0,90=198
Q9BJ=5000×0,03×4=R$600
Q10BMediana do 3° elemento = 7
Q11Ca₈=3+7×4=31
Q12C15×20=300 m²
Q13BC(6,2)=15
Q14C6/10=60%
Q15C2,5 km = 2.500 m
Q14-ACFibonacci: 5+8=13
Q14-BCV = D/T = 240/3 = 80 km/h
Q14-CBTabela de eliminação — Ana = delegada
4

NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
10 questões na prova
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. INTRODUÇÃO E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

Função do Direito Penal

O Direito Penal é o ramo do direito que define crimes, estabelece penas e regula o poder do Estado de punir. Sua função é proteger os bens jurídicos mais importantes (vida, liberdade, patrimônio, honra, fé pública, administração pública).

Princípios fundamentais — MUITO COBRADOS

PrincípioSignificado prático
Legalidade (art. 1° CP e art. 5°, XXXIX CF)Não há crime sem lei anterior que o defina; não há pena sem prévia cominação legal. "nullum crimen, nulla poena sine lege."
AnterioridadeA lei penal só se aplica a fatos praticados após sua vigência. Lei mais benéfica retroage; mais gravosa não retroage.
IrretroatividadeA lei penal mais grave não pode ser aplicada a fatos do passado. Exceção: lei penal mais benéfica retroage para favorecer o réu (art. 5°, XL CF).
Insignificância (bagatela)Infrações com lesão mínima não merecem punição penal. Requisitos STF: mínima ofensividade, ausência de periculosidade, reduzido grau de reprovabilidade, inexpressividade da lesão.
Intervenção mínimaO Direito Penal é a ultima ratio — só intervém quando outros ramos não resolvem.
Humanidade das penasProibição de penas cruéis, degradantes, de morte (exceto guerra declarada), perpétua, de trabalho forçado, de banimento e confisco (art. 5°, XLVII CF).
Pessoalidade/IntransmissibilidadeA pena não passa da pessoa do condenado. Obrigação de reparar danos pode passar aos herdeiros até o limite da herança.
CulpabilidadeNão há crime sem culpa — o agente responde conforme sua responsabilidade pessoal.
ProporcionalidadeA pena deve ser proporcional à gravidade do crime.

Fontes do Direito Penal

Exercícios — Princípios

Q1. O princípio que determina que a lei penal mais benéfica ao réu retroage é o princípio da:

  • A) Legalidade
  • B) Irretroatividade absoluta
  • C) Retroatividade da lei mais benéfica
  • D) Anterioridade

Q2. Segundo o princípio da insignificância, um furto de um pacote de bolacha de R$2,00 por pessoa sem antecedentes pode ter a tipicidade afastada porque:

  • A) O autor é primário e de bons antecedentes.
  • B) A lesão ao bem jurídico é mínima e inexpressiva.
  • C) Furto simples tem pena menor que roubo.
  • D) A vítima não quis representar.
Gabarito: Q1-C | Q2-B

2. CONCEITO DE CRIME E SEUS ELEMENTOS

Teorias sobre o crime

Teoria tripartite (adotada no Brasil): crime = fato típico + ilícito + culpável.

Excludentes de ilicitude — causas justificantes (art. 23 CP)

Art. 23 CP: "Não há crime quando o agente pratica o fato em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito."
ExcludenteConceitoRequisitos
Estado de necessidade (art. 24)Sacrifica um bem jurídico para salvar outro de perigo atualPerigo atual + não provocado + inevitabilidade + razoabilidade do sacrifício
Legítima defesa (art. 25)Repele agressão injusta usando os meios necessáriosAgressão injusta + atual ou iminente + uso moderado dos meios necessários + proteção de direito próprio ou alheio
Estrito cumprimento do dever legalAge em cumprimento de obrigação imposta por leiDever previsto em lei + ato nos limites do dever
Exercício regular de direitoExerce faculdade reconhecida pelo ordenamentoDireito previsto em lei + exercício dentro dos limites
Excesso punível (art. 23, §único): quem, usando uma excludente, extrapola os limites necessários responde pelo excesso doloso ou culposo. Ex.: policial que continua agredindo suspeito já imobilizado.

Excludentes de culpabilidade

Dolo e Culpa

TipoDefiniçãoExemplo
Dolo diretoO agente quer diretamente o resultadoAtirou com intenção de matar
Dolo eventualO agente prevê o resultado e assume o riscoRacha em via pública — atropela e mata
Culpa conscientePrevê o resultado mas confia que não vai ocorrerMotorista em velocidade excessiva: "não vou atropelar ninguém"
Culpa inconscienteNão prevê o resultado que era previsívelMotorista não vê sinal vermelho por distração
ImprudênciaAção arriscada sem cautelaDirigir alcoolizado
NegligênciaOmissão de cautela devidaMédico não verifica alergias antes da cirurgia
ImperíciaFalta de capacidade técnica na profissãoPerito que usa método inadequado

Exercícios — Elementos do Crime

Q3. Policial que, durante perseguição a criminoso, usa força necessária e proporcional para imobilizá-lo age acobertado por:

  • A) Estado de necessidade
  • B) Estrito cumprimento do dever legal
  • C) Legítima defesa
  • D) Exercício regular de direito

Q4. Um motorista dirige a 120 km/h em área urbana, não consegue frear e atropela um pedestre. Considerando que previu o resultado mas confiou que não ocorreria, age com:

  • A) Dolo direto
  • B) Dolo eventual
  • C) Culpa consciente
  • D) Culpa inconsciente
Gabarito: Q3-B | Q4-C

3. ITER CRIMINIS E TENTATIVA

Fases do crime (iter criminis)

FaseDescriçãoÉ punida?
CogitaçãoO agente pensa no crimeNÃO — pensamento é livre
PreparaçãoAtos preparatórios (comprar arma, planejar)NÃO (regra geral). Exceções: petrechos para falsificação, associação criminosa
ExecuçãoInício dos atos executórios do crimeSIM — a partir daqui é punível (tentativa)
ConsumaçãoCompletou todos os elementos do tipo penalSIM — pena integral
ExaurimentoConsequências após a consumaçãoPode agravar a pena (circunstância)

Tentativa (art. 14, II CP)

Inicia a execução, não consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

Pena: reduzida de 1/3 a 2/3 (quanto mais próximo da consumação, menor a redução).

Crimes que não admitem tentativa: crimes culposos, preterdolosos, contravenções, crimes omissivos próprios, crimes habituais, crimes unissubsistentes (consumam-se com um único ato).

Desistência voluntária e Arrependimento eficaz (art. 15)

Desistência voluntária: iniciou a execução e desistiu voluntariamente — ainda podia continuar mas não quis. Responde só pelos atos já praticados.

Arrependimento eficaz: completou todos os atos executórios mas impediu o resultado (ex.: deu veneno, depois deu antídoto e a vítima sobreviveu). Responde só pelos atos praticados.

Frase-chave: "Ponte de ouro" — o legislador estimula o agente a evitar o resultado, premiando com a não-responsabilização pelo crime mais grave.

Arrependimento posterior (art. 16 CP)

Após CONSUMAR o crime (sem violência ou grave ameaça à pessoa), o agente repara o dano antes do recebimento da denúncia. A pena é reduzida de 1/3 a 2/3 (quanto mais rápida a reparação, maior a redução).

Crime impossível (art. 17 CP)

Quando por ineficácia absoluta do meio ou impropriedade absoluta do objeto, é impossível consumar o crime. Não é punido.

Ineficácia RELATIVA do meio não é crime impossível — é tentativa. Ex.: apunhalar alguém que usa colete à prova de faca — pode ser tentativa de homicídio.

Exercícios — Iter Criminis

Q5. João iniciou a execução de um furto, mas, ao ouvir a sirene da viatura, fugiu sem levar nada. Trata-se de:

  • A) Desistência voluntária
  • B) Arrependimento eficaz
  • C) Tentativa de furto
  • D) Arrependimento posterior

Q6. Pedro deu veneno à vítima, mas, arrependido, administrou o antídoto e ela sobreviveu. Pedro responde por:

  • A) Homicídio tentado
  • B) Só pelos atos que praticou (lesão corporal/envenenamento)
  • C) Tentativa de homicídio com redução de pena
  • D) Não responde por nada
Gabarito: Q5-C (circunstâncias alheias à vontade — sirene) | Q6-B (arrependimento eficaz)

4. CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES

Concurso de pessoas (art. 29 CP)

Quando dois ou mais agentes contribuem para a prática de um crime, todos respondem pelo mesmo delito.

Comunicabilidade das circunstâncias: circunstâncias objetivas (modo de execução) comunicam-se a todos. Circunstâncias subjetivas (motivo, condição pessoal) comunicam-se só a quem elas se referem.

Exemplo: se o autor é funcionário público e comete peculato com ajuda de um particular, o particular responde por peculato também (a qualidade de funcionário se comunica por ser elementar do tipo).

Concurso de crimes

TipoSituaçãoPena
Concurso material (art. 69)Duas ou mais ações → dois ou mais crimesPenas somadas (cumuladas)
Concurso formal perfeito (art. 70)Uma ação → dois ou mais crimes (sem desígnios autônomos)Pena mais grave + exasperação de 1/6 a 1/2
Concurso formal imperfeito (art. 70)Uma ação → dois ou mais crimes (com desígnios autônomos)Penas somadas (como material)
Crime continuado (art. 71)Vários crimes da mesma espécie em circunstâncias semelhantesPena de um crime + exasperação de 1/6 a 2/3

Extinção da Punibilidade (art. 107 CP)

Prescrição: perda do direito de punir pelo decurso do tempo. Pode ser da pretensão punitiva (antes da condenação) ou executória (depois da condenação).

Exercícios — Concurso

Q7. Um motorista, em única ação, atropela dois pedestres causando a morte de ambos, sem intenção de matar nenhum. Trata-se de:

  • A) Concurso material
  • B) Concurso formal perfeito
  • C) Crime continuado
  • D) Concurso formal imperfeito

Q8. Causa de extinção da punibilidade que decorre do decurso do tempo sem que o Estado exercesse seu direito de punir:

  • A) Anistia
  • B) Graça
  • C) Prescrição
  • D) Perdão judicial
Gabarito: Q7-B | Q8-C

5. CRIMES EM ESPÉCIE — PARTE ESPECIAL DO CP

Crimes contra a pessoa (Título I)

CrimeArtigoDefiniçãoPena base
Homicídio simples121Matar alguém6 a 20 anos
Homicídio qualificado121 §2°Motivo torpe, fútil, meio cruel, emboscada, feminicídio, etc.12 a 30 anos (hediondo)
Homicídio culposo121 §3°Sem intenção, por imprudência/negligência/imperícia1 a 3 anos
Lesão corporal129Ofender integridade física ou saúde de outrem3 meses a 1 ano (leve)
Ameaça147Ameaçar causar mal injusto e grave1 a 6 meses ou multa
Sequestro/Cárcere privado148Privar alguém de liberdade sem justa causa1 a 3 anos
Calúnia138Imputar falsamente fato criminoso6 meses a 2 anos + multa
Difamação139Imputar fato ofensivo à reputação (não criminoso)3 meses a 1 ano + multa
Injúria140Ofender dignidade ou decoro (qualidade pessoal)1 a 6 meses ou multa

Crimes contra o patrimônio (Título II)

CrimeArt.DefiniçãoPena
Furto simples155Subtrair coisa alheia móvel SEM violência/ameaça1 a 4 anos + multa
Furto qualificado155 §4°Furto com destruição de obstáculo, abuso de confiança, fraude, escalada, destreza, chave falsa, concurso de pessoas2 a 8 anos + multa
Roubo simples157Subtração COM violência ou grave ameaça4 a 10 anos + multa
Latrocínio157 §3°Roubo seguido de morte (ou lesão grave)20 a 30 anos (hediondo)
Extorsão158Constranger a fazer algo contra a vontade para obter vantagem4 a 10 anos + multa
Extorsão mediante sequestro159Sequestra para obter resgate8 a 15 anos (hediondo)
Estelionato171Obter vantagem ilícita em prejuízo alheio por fraude ou engano1 a 5 anos + multa
Receptação180Adquirir produto de crime sabendo ser produto1 a 4 anos + multa

Crimes contra a dignidade sexual (Título VI)

CrimeArt.DefiniçãoPena
Estupro213Constranger a ato libidinoso com violência/grave ameaça6 a 10 anos (hediondo)
Estupro de vulnerável217-AAto libidinoso com menor de 14 anos ou vulnerável (presume-se violência)8 a 15 anos (hediondo)
Importunação sexual215-APraticar ato libidinoso sem consentimento em ambiente público1 a 5 anos

Crimes contra a fé pública (Título X)

CrimeArt.Definição
Moeda falsa289Falsificar moeda corrente
Falsidade de documento público297Falsificar documento público
Falsidade de documento privado298Falsificar documento particular
Uso de documento falso304Fazer uso de documento falso
Falsa identidade307Atribuir-se identidade falsa para obter vantagem ou causar dano

Crimes contra a Administração Pública (Título XI)

CrimeArt.Definição
Peculato próprio312Funcionário público que se apropria de bem público que tinha posse em razão do cargo
Peculato culposo312 §2°Funcionário concorre culposamente para que terceiro se aproprie
Concussão316Exigir (para si ou terceiro) vantagem indevida em razão da função — sem oferta do particular
Corrupção passiva317Solicitar ou receber vantagem indevida, ou aceitar promessa
Corrupção ativa333Particular que oferece ou promete vantagem a funcionário público
Prevaricação319Retardar ou omitir ato de ofício para satisfazer interesse pessoal
Resistência329Opor-se à execução de ato legal usando violência ou ameaça
Desobediência330Não cumprir ordem legal de funcionário público
Desacato331Ofender funcionário público no exercício da função ou em razão dela
Diferença importante: Concussão = EXIGE. Corrupção passiva = solicita, recebe ou aceita. Corrupção ativa = oferece ou promete (praticada pelo particular).

Exercícios — Crimes em Espécie

Q9. Um agente, usando ameaça, exige que a vítima lhe entregue dinheiro. Trata-se de:

  • A) Furto qualificado
  • B) Roubo
  • C) Extorsão
  • D) Estelionato

Q10. Funcionário público que solicita propina para despachar requerimento comete o crime de:

  • A) Concussão
  • B) Corrupção passiva
  • C) Peculato
  • D) Prevaricação
Gabarito: Q9-C (exige que faça algo) | Q10-B (solicita = corrupção passiva)

6. CRIMES HEDIONDOS — LEI 8.072/1990

Rol dos crimes hediondos (art. 1° da Lei 8.072/1990)

Consequências da hediondez

AspectoRegra
Anistia, graça, indultoInsuscetíveis — vedados constitucionalmente (art. 5°, XLIII CF)
FiançaInsuscetível de fiança
Prisão temporária30 dias + 30 dias (regra geral: 5 + 5)
Regime inicialNão necessariamente fechado — STF (HC 111.840): deve ser analisado no caso concreto
Livramento condicionalMínimo 2/3 da pena (não reincidente) ou 3/5 (reincidente em hediondo)
Progressão de regime2/5 da pena (primário) ou 3/5 (reincidente específico)
Memorize o TTTT: Tráfico + Terrorismo + Tortura + os do art. 1° da Lei 8.072 = hediondos ou equiparados. Todos vedados à fiança, graça e anistia.

Lei Maria da Penha — Lei 11.340/2006

Criada para proteger a mulher vítima de violência doméstica e familiar. Define, estabelece medidas protetivas e cria mecanismos de prevenção.

Tipos de violência (art. 7°):

AspectoDetalhe
AplicaçãoViolência no âmbito doméstico, familiar ou de relação íntima de afeto — independe de orientação sexual
Ação penalLesão corporal: pública incondicionada (não precisa de representação da vítima)
Medidas protetivas de urgênciaAfastamento do agressor, proibição de aproximação/contato, suspensão de porte de arma, alimentos provisórios — deferidas pelo juiz em 48h
Descumprimento de medida protetivaCrime (art. 24-A): detenção de 3 meses a 2 anos; pode haver prisão preventiva
VedaçõesNão cabe pena de multa isolada ou cesta básica; não cabe suspensão condicional do processo
Prisão preventivaPode ser decretada para garantia da execução das medidas protetivas de urgência
Feminicídio (art. 121, §2°, VI CP): homicídio doloso praticado contra mulher por razão de condição de sexo feminino (violência doméstica e familiar ou menosprezo/discriminação). É crime hediondo, qualificador de natureza objetiva (comunica-se ao coautor).

Exercícios — Hediondos e Lei Maria da Penha

Q9-A (complementar). De acordo com a Lei 8.072/1990, os crimes hediondos são insuscetíveis de:

  • A) Progressão de regime
  • B) Anistia, graça, indulto e fiança
  • C) Liberdade provisória sem fiança
  • D) Réu primário responder em regime aberto

Q9-B (complementar). Segundo a Lei Maria da Penha, o crime de lesão corporal praticado em contexto de violência doméstica é de ação penal:

  • A) Privada — somente a vítima pode propor
  • B) Pública condicionada — depende de representação
  • C) Pública incondicionada — o MP age independentemente da vítima
  • D) Pública condicionada à requisição do juiz
Q9-A: B | Q9-B: C

GABARITO GERAL — DIREITO PENAL

QResp.Tema
Q1CRetroatividade da lei mais benéfica
Q2BPrincípio da insignificância
Q3BEstrito cumprimento do dever legal
Q4CCulpa consciente
Q5CTentativa (circunstância alheia)
Q6BArrependimento eficaz
Q7BConcurso formal perfeito
Q8CPrescrição
Q9CExtorsão
Q10BCorrupção passiva
5

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
8 questões na prova
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. PRINCÍPIOS E SISTEMAS PROCESSUAIS

Princípios do Processo Penal

PrincípioConceito
Presunção de inocênciaNinguém é culpado até sentença condenatória transitada em julgado (art. 5°, LVII CF)
ContraditórioToda prova ou alegação deve ser comunicada à outra parte, que tem direito de responder
Ampla defesaO réu tem direito a todos os meios de defesa possíveis (técnica + autodefesa)
Devido processo legalNinguém será privado de liberdade ou bens sem o processo estabelecido em lei
Verdade realBusca-se o que realmente aconteceu, não apenas o formalmente provado
In dubio pro reoNa dúvida sobre a culpa, decide-se em favor do acusado
Ne bis in idemNinguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato
PublicidadeProcessos são públicos (exceto segredo de justiça)
Nemo tenetur se detegereNinguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo (direito ao silêncio)
Juiz naturalNinguém pode ser julgado por tribunal de exceção criado após o fato

Sistemas processuais penais

Exercícios — Princípios

Q1. O princípio que garante que o réu não é obrigado a confessar ou produzir provas contra si é chamado de:

  • A) Contraditório
  • B) Ne bis in idem
  • C) Nemo tenetur se detegere
  • D) In dubio pro reo

Q2. No sistema acusatório adotado pelo Brasil, a função de investigação criminal cabe:

  • A) Ao Ministério Público
  • B) Ao juiz de instrução
  • C) À Polícia Judiciária
  • D) Ao juiz das garantias
Gabarito: Q1-C | Q2-C

2. INQUÉRITO POLICIAL

Natureza e características

O inquérito policial (IP) é um procedimento administrativo de natureza inquisitória, conduzido pelo delegado de polícia para apurar autoria e materialidade de infração penal.

CaracterísticaExplicação
EscritoTodas as peças são documentadas no papel/sistema
SigilosoPode ser sigiloso para não prejudicar investigação (art. 20 CPP)
InquisitórioNão há contraditório amplo — investigado não tem direito à ampla defesa nesta fase
DispensávelO MP pode oferecer denúncia sem IP se tiver provas suficientes
IndisponívelUma vez instaurado, só o juiz pode arquivá-lo (a pedido do MP)
DiscricionárioO delegado decide como conduzir a investigação
OficialConduzido por autoridade pública (delegado)

Formas de instauração

Prazos de conclusão

SituaçãoPolícia Civil (estadual)Polícia Federal
Réu PRESO10 dias (improrrogável)15 dias (prorrogável por mais 15)
Réu SOLTO30 dias (prorrogável)30 dias (prorrogável)

Lei 12.830/2013 — Investigação pelo Delegado

Exercícios — Inquérito

Q3. O prazo para conclusão do inquérito policial estadual quando o investigado está PRESO é:

  • A) 5 dias
  • B) 10 dias
  • C) 15 dias
  • D) 30 dias

Q4. Segundo a Lei 12.830/2013, o indiciamento é ato privativo:

  • A) Do juiz
  • B) Do Ministério Público
  • C) Do delegado de polícia
  • D) Do escrivão de polícia
Gabarito: Q3-B | Q4-C

3. AÇÃO PENAL E PROVAS

Tipos de ação penal

TipoQuem promoveQuandoExemplos
Pública incondicionadaMinistério PúblicoIndepende de autorização da vítimaHomicídio, roubo, tráfico
Pública condicionada à representaçãoMP — mas vítima precisa "representar" (pedir)Após representação da vítimaLesão leve, ameaça, estelionato (regra geral)
Pública condicionada à requisição do Ministro da JustiçaMPApós requisiçãoCrimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro no exterior
PrivadaVítima (por advogado)No prazo de 6 meses após saber o autorCalúnia, difamação, injúria (regra)

Provas — princípios

Meios de prova — detalhados

Perícia (arts. 158-184 CPP): exame técnico realizado por perito oficial ou ad hoc. O exame de corpo de delito é obrigatório para crimes que deixam vestígios — a confissão não o substitui.

Interrogatório (arts. 185-196 CPP): o acusado tem direito ao silêncio, à presença de advogado e a ser interrogado antes do julgamento. Silêncio não pode ser interpretado como confissão.

Reconhecimento de pessoas (art. 226 CPP): procedimento formal — a testemunha descreve primeiro, depois visualiza o suspeito entre outras pessoas. Deve ser documentado em auto.

Busca e apreensão (arts. 240-250 CPP):

Interceptação telefônica (Lei 9.296/1996)

Cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F CPP)

Conjunto de procedimentos para preservar a integridade da prova. Fases: reconhecimento → isolamento → fixação → coleta → acondicionamento → transporte → recebimento → processamento → armazenamento → descarte.

Violação da cadeia de custódia não acarreta necessariamente nulidade da prova, mas o juiz deve avaliar o impacto na confiabilidade.

Exercícios — Ação Penal e Provas

Q5. Em crime de lesão corporal leve, o Ministério Público só pode oferecer denúncia se a vítima:

  • A) Constituir advogado
  • B) Apresentar representação
  • C) Concordar com o arquivamento
  • D) Apresentar boletim de ocorrência

Q6. A interceptação telefônica, sem autorização judicial, configura prova:

  • A) Válida se realizada pela polícia
  • B) Ilícita, inadmissível no processo
  • C) Válida com autorização do Ministério Público
  • D) Válida apenas em crimes hediondos
Gabarito: Q5-B | Q6-B

4. PRISÃO E MEDIDAS CAUTELARES

Prisão em flagrante (arts. 301-310 CPP)

Captura no ato ou logo após a prática do crime.

EspécieQuando
Flagrante próprio (art. 302, I e II)Está cometendo ou acaba de cometer o crime
Flagrante impróprio/quase flagrante (art. 302, III)Perseguido logo após pela autoridade, vítima ou qualquer pessoa
Flagrante presumido/ficto (art. 302, IV)Encontrado logo depois com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser o autor
Flagrante preparado/provocadoArmado pelo próprio policial — INVÁLIDO (Súmula 145 STF)
Flagrante esperadoPolicial aguarda o crime para prender no ato — VÁLIDO

Após a prisão em flagrante: em 24h o preso deve ser apresentado ao juiz, que pode: relaxar a prisão (ilegal), conceder liberdade provisória com ou sem fiança, converter em preventiva.

Prisão temporária — Lei 7.960/1989

Prisão preventiva (arts. 311-316 CPP)

Decretada em qualquer fase — inquérito ou processo. Sem prazo fixo (deve ser revista periodicamente).

Pressupostos: prova da existência do crime (materialidade) + indício suficiente de autoria.

Fundamentos (pelo menos um):

Não cabe preventiva para: contravenções penais, crimes culposos, crimes com pena máxima ≤ 4 anos (em regra), agente com mais de 80 anos, mulher grávida ou com filho menor de 12 anos (podem usar prisão domiciliar).

Medidas cautelares diversas da prisão (art. 319 CPP)

O juiz pode aplicar, em vez de prender: comparecimento periódico em juízo; proibição de acesso a determinados lugares; proibição de contato com determinadas pessoas; proibição de se ausentar do país; recolhimento domiciliar no período noturno; suspensão de função pública; internação provisória; fiança; monitoramento eletrônico (tornozeleira).

Fiança

Valor depositado para garantir que o preso em flagrante aguarde em liberdade.

Súmula Vinculante 11 — Uso de Algemas

Somente é lícito usar algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia. O emprego fora dessas hipóteses configura abuso de autoridade (Lei 13.869/2019).

Exercícios — Prisão

Q7. O prazo máximo da prisão temporária em crime hediondo é de:

  • A) 5 dias prorrogáveis por mais 5
  • B) 10 dias improrrogáveis
  • C) 30 dias prorrogáveis por mais 30
  • D) 60 dias improrrogáveis

Q8. A busca domiciliar SEM mandado judicial é admitida em caso de:

  • A) Crime hediondo
  • B) Ordem do delegado de polícia
  • C) Flagrante delito
  • D) Investigação de tráfico de drogas
Gabarito: Q7-C | Q8-C

5. LEI 12.850/2013 — ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS

Conceito legal de organização criminosa

4 (quatro) ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos ou sejam de caráter transnacional.

Pena: reclusão de 3 a 8 anos + multa, para quem participar da organização.

Agravante: pena aumenta para líder, fundador, cooptador de novos membros, ou envolvimento de servidor público.

Meios especiais de investigação

MeioO que éAutorização
Colaboração premiadaAcordo do investigado/réu com o MP: fornece informações em troca de benefícios penaisHomologada pelo juiz
Captação ambientalGravação de conversas em ambientes físicos sem conhecimento dos participantesJudicial
Ação controladaRetardamento da prisão em flagrante para identificar mais integrantes e ampliar a eficiênciaComunicação ao juiz (ou consentimento judicial)
Acesso a registros bancários e fiscaisQuebra de sigilo bancário e fiscalJudicial
Agente infiltradoPolicial que se infiltra na organização usando identidade falsaJudicial (prazo: 6 meses, renovável)
Agente infiltrado virtualPolicial que cria perfis falsos online para investigar crimes digitais em organizaçõesJudicial — inserido pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019)

Colaboração premiada — detalhes

A colaboração (delação premiada) permite ao investigado firmar acordo com o Ministério Público para:

Benefícios possíveis: perdão judicial, redução de 2/3 da pena, substituição por restritiva de direitos, regime aberto, não persecução penal.

Atenção: a colaboração premiada, por si só, não é suficiente para condenar — precisa ser corroborada por outras provas. O colaborador não pode ser o único fundamento da condenação dos delatados.

Interceptação das comunicações em organização criminosa

Além da Lei 9.296/96 (interceptação telefônica), na investigação de organizações criminosas também se admite:

Exercícios — Organizações Criminosas

Q7-A (complementar). Segundo a Lei 12.850/2013, para configurar organização criminosa é necessário, dentre outros requisitos, no mínimo:

  • A) 2 pessoas
  • B) 3 pessoas
  • C) 4 pessoas
  • D) 5 pessoas

Q7-B (complementar). A ação controlada consiste em:

  • A) Agente policial que se infiltra na organização com identidade falsa
  • B) Retardamento da prisão em flagrante para identificar mais integrantes da organização
  • C) Acordo do investigado com o Ministério Público em troca de benefícios penais
  • D) Gravação de conversas em ambientes físicos sem conhecimento dos participantes
Q7-A: C | Q7-B: B

GABARITO GERAL — PROCESSUAL PENAL

QResp.Tema
Q1CNemo tenetur — direito ao silêncio
Q2CSistema acusatório — polícia investiga
Q3BIP preso = 10 dias
Q4CIndiciamento = ato do delegado
Q5BAção pública condicionada = representação
Q6BInterceptação sem judicial = prova ilícita
Q7CTemporária hediondo = 30+30
Q8CBusca domiciliar sem mandado = flagrante
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

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1. CONSTITUIÇÃO — CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO

O que é Constituição

A Constituição é a lei fundamental e suprema do Estado — a "lei mãe". Todas as demais leis devem obedecê-la. Quando uma lei contraria a Constituição, ela é inconstitucional e pode ser declarada nula.

Classificações da Constituição Federal de 1988

CritérioCF/88 é...Por quê
OrigemPromulgada (democrática)Elaborada por Assembleia Constituinte eleita pelo povo
FormaEscrita (codificada)Texto único e sistematizado
ExtensãoAnalítica (prolixa)Trata de muitos temas — não só organização do Estado
RigidezRígida (super-rígida em partes)Emenda exige 3/5 em dois turnos em cada Casa. Cláusulas pétreas são imutáveis.
IdeologiaEcléticaCombina valores liberais, sociais e democráticos

Cláusulas pétreas (art. 60 §4°)

Não podem ser abolidas nem por Emenda Constitucional: forma federativa de Estado; voto direto, secreto, universal e periódico; separação dos poderes; direitos e garantias individuais.

Exercícios — Classificação

Q1. A Constituição de 1988 é classificada como "rígida" pois:

  • A) Não pode ser alterada por nenhum meio
  • B) Exige processo especial mais dificultoso para sua alteração
  • C) Foi elaborada por ditadura militar
  • D) Tem poucos artigos e é objetiva
Gabarito: Q1-B

2. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS (ARTS. 1°-4°)

Fundamentos da República — art. 1° (SCDVP)

Objetivos fundamentais — art. 3° (CEED)

Princípios das relações internacionais — art. 4°

Independência nacional; prevalência dos direitos humanos; autodeterminação dos povos; não-intervenção; igualdade entre os Estados; defesa da paz; solução pacífica de conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo; cooperação entre povos; concessão de asilo político; integração da América Latina.

Distinção importante: Art. 1° = FUNDAMENTOS (o que o Brasil É). Art. 3° = OBJETIVOS (o que o Brasil QUER SER). Art. 4° = RELAÇÕES INTERNACIONAIS (como o Brasil age no mundo).

Exercícios — Princípios Fundamentais

Q2. "Dignidade da pessoa humana" é um dos FUNDAMENTOS da República, previsto no art.:

  • A) Art. 3° CF
  • B) Art. 1° CF
  • C) Art. 4° CF
  • D) Art. 5° CF

Q3. "Erradicar a pobreza e a marginalização" é um dos OBJETIVOS fundamentais, enquanto "soberania" é um FUNDAMENTO. Essa afirmativa é:

  • A) Falsa — ambos são objetivos
  • B) Verdadeira
  • C) Falsa — ambos são fundamentos
  • D) Falsa — soberania é objetivo e erradicação da pobreza é fundamento
Gabarito: Q2-B | Q3-B

3. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS — ART. 5°

Principais direitos individuais

IncisoDireito
caputVida, liberdade, igualdade, segurança, propriedade
IIgualdade entre homens e mulheres
IIIProibição de tortura e tratamento desumano
IVLiberdade de manifestação do pensamento
VILiberdade de consciência e crença
XInviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem
XIInviolabilidade do domicílio
XIISigilo de correspondência, comunicações telegráficas, dados e telefônicas
XIIILiberdade de exercício profissional
XVLiberdade de locomoção
XXXIVDireito de petição e obtenção de certidões
XXXVInafastabilidade do controle jurisdicional (acesso à Justiça)
XXXVIIProibição de tribunal de exceção
XXXVIIITribunal do Júri (crimes dolosos contra a vida)
XXXIXPrincípio da legalidade penal (nullum crimen)
XLLei penal mais benéfica retroage
XLIIICrimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça: tortura, tráfico, terrorismo, hediondos
XLIVImprescritibilidade: racismo e ação de grupos armados contra Estado Democrático
XLVIIndividualização da pena
XLVIIPenas proibidas: morte (exceto guerra), perpétua, trabalho forçado, banimento, cruéis
LIVDevido processo legal
LVContraditório e ampla defesa
LVIInadmissibilidade de provas ilícitas
LVIIPresunção de inocência
LXIIIDireito ao silêncio e à assistência de advogado ao preso
LXVINinguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir liberdade provisória

Remédios Constitucionais — tabela completa

RemédioArt. CFProtegeLegitimidade
Habeas Corpus5°, LXVIIILiberdade de locomoção ameaçada ou violadaQualquer pessoa (sem advogado)
Habeas Data5°, LXXIIAcesso/retificação de dados pessoais em registros públicosPessoa física ou jurídica — sobre seus próprios dados
Mandado de Segurança5°, LXIXDireito líquido e certo não amparado por HC ou HD, violado por autoridade públicaPessoa física ou jurídica (com advogado)
Mandado de Seg. Coletivo5°, LXXMesmo que MS, mas em prol de coletividadePartido político com representação no CN, organização sindical, entidade de classe, associação
Mandado de Injunção5°, LXXIFalta de norma regulamentadora que inviabilize exercício de direitoQualquer pessoa prejudicada
Ação Popular5°, LXXIIIAnulação de ato lesivo ao patrimônio público, moralidade, meio ambiente, patrimônio históricoCidadão brasileiro (eleitor)
Diferença HC x HD: HC = liberdade de ir e vir. HD = dados pessoais. Fácil de confundir na prova!

Exercícios — Art. 5°

Q4. Um cidadão quer corrigir informações incorretas sobre si em cadastro de órgão público. O remédio constitucional adequado é:

  • A) Habeas Corpus
  • B) Mandado de Injunção
  • C) Habeas Data
  • D) Ação Popular

Q5. Crimes de TORTURA são, nos termos da CF:

  • A) Inafiançáveis, insuscetíveis de graça e imprescritíveis
  • B) Inafiançáveis e insuscetíveis de graça, mas prescritíveis
  • C) Imprescritíveis apenas
  • D) Insuscetíveis de anistia somente
Gabarito: Q4-C | Q5-B (tortura é inafiançável e insuscetível de graça pelo art. 5°, XLIII — imprescritibilidade é só para racismo e grupos armados)

4. ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E SEGURANÇA PÚBLICA

Separação dos Poderes (art. 2°)

O poder é uno, mas exercido por três funções independentes e harmônicas: Legislativo (fazer leis), Executivo (administrar), Judiciário (julgar).

Sistema de freios e contrapesos (checks and balances): cada poder controla os outros. Ex.: o Executivo veta leis; o Legislativo derruba o veto; o Judiciário declara leis inconstitucionais.

Poderes da União

PoderFederalEstadualMunicipal
LegislativoCongresso Nacional (Câmara + Senado)Assembleia LegislativaCâmara Municipal
ExecutivoPresidente da RepúblicaGovernadorPrefeito
JudiciárioSTF, STJ, TST, TSE, STM, TRFsTJ (Tribunal de Justiça)

Segurança pública — art. 144 CF

ÓrgãoAtuação principal
Polícia FederalCrimes contra a União, tráfico internacional, imigração. Polícia judiciária da União.
Polícia Rodoviária FederalPatrulha ostensiva das rodovias federais
Polícia Ferroviária FederalPatrulha de ferrovias federais
Polícias CivisPolícia judiciária dos estados. Apura crimes comuns (exceto militares). Dirigida por delegados de carreira.
Polícias MilitaresPoliciamento ostensivo e preservação da ordem pública nos estados
Corpos de Bombeiros MilitaresDefesa civil, incêndios, salvamentos
Polícias Penais (EC 104/2019)Segurança dos estabelecimentos penais
Guardas MunicipaisProteção de bens, serviços e instalações do município
Distinção crucial para a prova — Polícia Civil vs. Polícia Militar:
  • Polícia Civil: polícia JUDICIÁRIA (investigação, inquérito policial, apuração de crimes) — função repressiva. Subordinada ao Governador. Dirigida por Delegado de carreira.
  • Polícia Militar: policiamento OSTENSIVO e preservação da ordem pública — função preventiva. Força auxiliar e reserva do Exército. Subordinada ao Governador.
  • Polícia Federal: crimes contra a União + polícia judiciária da União + controle migratório + combate ao tráfico internacional.
  • Polícia Penal (EC 104/2019): segurança dos estabelecimentos penais — federal, estadual e distrital. Nova nomenclatura do antigo agente penitenciário.
  • Guarda Municipal: protege bens, serviços e instalações do MUNICÍPIO — não é polícia judiciária nem ostensiva em sentido pleno.

Defesa do Estado — Estado de Defesa e Sítio

MedidaArt.PrazoAprovação CN
Estado de Defesa13630 dias + 30 (máx. 60 dias)Posterior (maioria absoluta)
Estado de Sítio — comoção grave137, I30 dias + renovaçõesPrévia (maioria absoluta)
Estado de Sítio — guerra/resposta a agressão estrangeira137, IIDuração da guerraPrévia (maioria absoluta)

Exercícios — Organização e Segurança

Q6. A Polícia Civil tem função de polícia judiciária dos estados. Essa função é prevista no art.:

  • A) 37 CF
  • B) 144 CF
  • C) 5° CF
  • D) 127 CF
Gabarito: Q6-B

GABARITO GERAL — CONSTITUCIONAL

QResp.Tema
Q1BRigidez constitucional
Q2BDignidade = fundamento art. 1°
Q3BObjetivos vs. fundamentos
Q4CHabeas Data = dados pessoais
Q5BTortura = inafiançável, insuscetível de graça (não imprescritível)
Q6BPolícia Civil = art. 144 CF
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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

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6 questões na prova
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1. PRINCÍPIOS — LIMPE

O art. 37 da CF estabelece os princípios da administração pública: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência.

PrincípioSignificado para o servidor
LegalidadeSó faço o que a lei permite (diferente do particular: pode tudo que a lei não proíbe)
ImpessoalidadeAtendo a todos igualmente. O ato é do órgão, não da minha pessoa. Proíbe favoritismo e perseguição.
MoralidadeDevo agir com ética, honestidade, boa-fé. Não basta ser legal — precisa ser moral.
PublicidadeOs atos públicos devem ser divulgados. Transparência é regra; sigilo é exceção.
EficiênciaUsar bem os recursos públicos para obter melhores resultados. Qualidade + agilidade.

Outros princípios importantes: supremacia do interesse público (o interesse coletivo prevalece sobre o particular), autotutela (a própria Administração pode anular seus atos ilegais ou revogar os inconvenientes), proporcionalidade, razoabilidade, motivação, continuidade dos serviços públicos.

Exercícios — Princípios

Q1. Um delegado aproveita seu cargo para nomear um familiar sem concurso para um cargo público. Viola o princípio da:

  • A) Legalidade apenas
  • B) Impessoalidade e moralidade
  • C) Eficiência
  • D) Publicidade
Gabarito: Q1-B

2. ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA

Administração Direta

São os órgãos que compõem diretamente o Estado — não têm personalidade jurídica própria. Ex.: Ministérios, Secretarias, Delegacias (órgão), Polícia Civil.

Administração Indireta

EntidadePersonalidadeCapitalForma jurídicaExemplos
AutarquiaPública100% públicoPública (criada por lei)INSS, BACEN, INMETRO
Fundação PúblicaPública ou PrivadaPúblicoCriada/autorizada por leiIBGE, FUNAI
Empresa PúblicaPrivada100% públicoQualquer forma societáriaCorreios, CEF, BNDES
Soc. de Econ. MistaPrivadaPúblico + privado (Estado controla)Somente S/APetrobras, Banco do Brasil
Macete EP x SEM: Empresa Pública = qualquer forma + só capital público. Soc. de Econ. Mista = sempre S/A + capital misto.

Exercícios — Administração Indireta

Q2. O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é uma:

  • A) Empresa pública
  • B) Sociedade de economia mista
  • C) Autarquia federal
  • D) Fundação pública
Gabarito: Q2-C

3. PODERES E ATOS ADMINISTRATIVOS

Poderes da Administração

PoderDescrição
VinculadoA lei determina exatamente o que fazer. Sem margem de escolha. Ex.: conceder aposentadoria ao preencher requisitos.
DiscricionárioA lei dá margem de escolha (conveniência e oportunidade). Ex.: autorizar ou não evento. O judiciário não controla o mérito, só a legalidade.
HierárquicoOrganizar, fiscalizar, dar ordens. Inclui avocar (trazer para si) e delegar atribuições.
DisciplinarPunir infrações funcionais de servidores e particulares vinculados à Administração.
RegulamentarEditar regulamentos para detalhar aplicação de leis (decretos do Executivo).
De PolíciaLimitar direitos individuais em prol do coletivo. Atributos: discricionariedade, autoexecutoriedade, coercibilidade.

Atos Administrativos

Elementos (COFIM): Competência (quem pode praticar), Objeto (o que determina), Forma (como deve ser feito), Interesse público / finalidade, Motivo (razão de fato e direito).

Atributos: presunção de legitimidade (vale até ser anulado), imperatividade (impõe sem precisar de concordância), autoexecutoriedade (executa sem precisar do judiciário — nem todos os atos têm).

Extinção dos atos: anulação (por ilegalidade — efeito ex tunc, retroativo) e revogação (por conveniência/oportunidade — efeito ex nunc, não retroativo).

Exercícios — Poderes e Atos

Q3. A Administração anula seus próprios atos ilegais com base no princípio da:

  • A) Eficiência
  • B) Autotutela
  • C) Publicidade
  • D) Supremacia do interesse público
Gabarito: Q3-B

4. LEI DE IMPROBIDADE, LAI E LGPD

Lei de Improbidade (Lei 8.429/1992 + alterações Lei 14.230/2021)

TipoArt.Elemento subjetivoSanção principal
Enriquecimento ilícitoDolo (intencional)Suspensão de direitos políticos 14 a 17 anos, perda de bens, multa
Dano ao erário10Dolo (após Lei 14.230/2021 — era culpa+dolo)Suspensão 12 a 14 anos, multa, ressarcimento
Violação de princípios11DoloSuspensão 4 a 8 anos, multa
Mudança importante (Lei 14.230/2021): todos os atos de improbidade agora exigem DOLO — a culpa foi removida. O art. 10 (dano ao erário) que antes admitia culpa, agora também exige dolo.

Lei de Acesso à Informação — LAI (Lei 12.527/2011)

LGPD — Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018)

Exercícios — Improbidade, LAI e LGPD

Q4. Após a Lei 14.230/2021, os atos de improbidade administrativa exigem como elemento subjetivo:

  • A) Culpa ou dolo
  • B) Apenas culpa
  • C) Apenas dolo
  • D) Nem dolo nem culpa — responsabilidade objetiva

Q5. O prazo padrão para resposta a pedido de acesso à informação é de:

  • A) 5 dias úteis
  • B) 10 dias corridos
  • C) 20 dias, prorrogável por 10
  • D) 30 dias improrrogáveis

Q6. Na LGPD, dados sobre raça, religião, saúde e biometria são classificados como dados:

  • A) Pessoais comuns
  • B) Sigilosos
  • C) Sensíveis
  • D) Públicos
Gabarito: Q4-C | Q5-C | Q6-C

5. LEI 13.869/2019 — ABUSO DE AUTORIDADE

O que é abuso de autoridade

Praticado pelo agente público (policial, delegado, promotor, juiz, etc.) que age com a finalidade específica de prejudicar outrem, beneficiar a si mesmo ou terceiro, ou por mero capricho ou satisfação pessoal — com dolo específico.

Elemento subjetivo: o abuso de autoridade exige dolo específico (finalidade de prejudicar ou capricho pessoal). Erros técnicos sem essa intenção não configuram abuso.

Condutas típicas relevantes para o agente de polícia

CondutaArt.Pena
Decretar ou executar medida privativa de liberdade em manifesta desconformidade com a lei1 a 4 anos + multa
Deixar de comunicar prisão em flagrante ao juiz em 24h126 meses a 2 anos + multa
Usar algemas fora das hipóteses legais (SV 11)101 a 4 anos + multa
Submeter preso a situação vexatória ou constrangedora na captura131 a 4 anos + multa
Divulgar gravação sem autorização ou fora do contexto (de interrogatório, por ex.)201 a 4 anos + multa
Impedir comunicação do preso com advogado, família ou MP141 a 4 anos + multa
Investigar ou iniciar processo sem justa causa (evidente ao agente)276 meses a 2 anos + multa

Penas e efeitos

Exercícios — Abuso de Autoridade

Q4-A (complementar). Para configurar crime de abuso de autoridade (Lei 13.869/2019), é necessário que o agente atue com:

  • A) Simples negligência ou erro técnico
  • B) Dolo específico — finalidade de prejudicar, beneficiar-se ou por capricho pessoal
  • C) Dolo eventual — assumiu o risco do resultado
  • D) Culpa grave por imprudência manifesta

Q4-B (complementar). O policial que usa algemas em preso já algemado, imobilizado e sem oferecer resistência, com o objetivo de humilhá-lo publicamente, comete:

  • A) Apenas infração administrativa
  • B) Lesão corporal culposa
  • C) Crime de abuso de autoridade (art. 10 da Lei 13.869/2019)
  • D) Nenhum crime, pois o uso de algemas é sempre legal
Q4-A: B | Q4-B: C

GABARITO GERAL — ADMINISTRATIVO

QResp.Tema
Q1BImpessoalidade + moralidade
Q2CINSS = autarquia
Q3BAutotutela
Q4CImprobidade = só dolo (após 14.230/2021)
Q5CLAI = 20+10 dias
Q6CDados sensíveis = LGPD
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NOÇÕES DE CONTABILIDADE

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
6 questões na prova
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1. FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE

Princípios fundamentais (NBC PG 100)

PrincípioSignificado simples
EntidadeFinanças da empresa separadas das do dono
ContinuidadePressupõe que a empresa vai continuar existindo
OportunidadeRegistra no momento em que ocorre o fato
Registro pelo valor originalBens registrados pelo preço de aquisição
CompetênciaReceitas/despesas reconhecidas quando ocorrem, não quando recebe/paga dinheiro
PrudênciaNa dúvida: menor receita / maior despesa

Equação fundamental

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Balanço Patrimonial

ATIVOPASSIVO + PL
CirculanteCaixa, contas a receber, estoques (até 1 ano)CirculanteFornecedores, salários, empréstimos (até 1 ano)
Não CirculanteImóveis, máquinas, veículos, investimentos (mais de 1 ano)Não CirculanteFinanciamentos de longo prazo
PLCapital social + reservas + lucros acumulados

Demonstrações contábeis principais

Exercícios — Fundamentos

Q1. Uma empresa tem Ativo de R$500.000 e Passivo de R$300.000. Seu Patrimônio Líquido é:

  • A) R$800.000
  • B) R$300.000
  • C) R$200.000
  • D) R$150.000

Q2. O princípio contábil que determina que receitas e despesas devem ser reconhecidas quando ocorrem (não quando o dinheiro entra/sai) é o princípio da:

  • A) Prudência
  • B) Competência
  • C) Continuidade
  • D) Entidade
Gabarito: Q1-C (500.000 − 300.000) | Q2-B

2. PERÍCIA CONTÁBIL E LAVAGEM DE DINHEIRO

Perícia contábil (NBC TP 01)

Lavagem de dinheiro — Lei 9.613/1998

Processo de transformar dinheiro de origem criminosa em dinheiro aparentemente lícito.

FaseDescriçãoExemplo
1. Colocação (placement)Inserção do dinheiro ilícito no sistema financeiroDepósitos fracionados, compras em espécie
2. Ocultação/Estratificação (layering)Movimentações complexas para dificultar rastreioTransferências internacionais, criptomoedas, offshores
3. Integração (integration)O dinheiro volta com aparência lícitaInvestimento imobiliário, empresa com faturamento fictício

Sinais de alerta na investigação financeira

COAF — Conselho de Controle de Atividades Financeiras

Órgão do Ministério da Fazenda responsável por receber, examinar e identificar ocorrências suspeitas de lavagem de dinheiro. Produz Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) que podem embasar investigações policiais.

Sinais de alerta (red flags) para lavagem de dinheiro

SinalPor que suspeito
Movimentação financeira incompatível com a renda declaradaEnriquecimento sem origem comprovada
Pagamentos em espécie de alto valorEspécie dificulta rastreamento
Smurfing: vários depósitos pequenos abaixo do limiteFracionamento para evitar comunicação ao COAF
Uso de intermediários / laranjas para transaçõesOculta o verdadeiro beneficiário
Empresa sem estrutura real com faturamento altoEmpresa de fachada para integração
Compra/venda de imóvel por valor muito diferente do mercadoSobrepreço ou subpreço como mecanismo de lavagem
Transferências frequentes para offshores em paraísos fiscaisEstratificação — fase 2 da lavagem
Operações com criptomoedas sem relação com atividade econômica declaradaCriptomoedas usadas para ocultação

Exercícios — Perícia e Lavagem

Q3. Na perícia contábil judicial, quem é nomeado pelo juiz para elaborar o laudo imparcial?

  • A) Assistente técnico da acusação
  • B) Perito judicial
  • C) Auditor fiscal da Receita Federal
  • D) Delegado de polícia

Q4. A fase da lavagem de dinheiro em que o criminoso utiliza transferências internacionais e empresas offshores para dificultar o rastreamento é a:

  • A) Colocação
  • B) Integração
  • C) Ocultação/Estratificação
  • D) Dissimulação

Q5. A prática de realizar vários depósitos bancários abaixo do limite de reporte para evitar a comunicação ao COAF é conhecida como:

  • A) Tumbling
  • B) Smurfing
  • C) Mixing
  • D) Layering
Gabarito: Q3-B | Q4-C | Q5-B

3. LEGISLAÇÃO CONTÁBIL APLICADA

Código Civil — Pessoas Jurídicas (Arts. 44-69)

Pessoas jurídicas são entidades com personalidade jurídica própria (distintas das pessoas físicas que as compõem).

A constituição de pessoa jurídica (empresa) é frequentemente usada para lavagem de dinheiro. O agente deve estar atento a empresas com capital social incompatível com as atividades ou sem estrutura operacional real.

Lei Complementar 123/2006 — Simples Nacional

Exercícios — Legislação

Q6. Na investigação de lavagem de dinheiro, o agente de polícia deve estar atento a empresas criadas com capital incompatível com as atividades declaradas, pois isso pode indicar uso de:

  • A) Sonegação fiscal
  • B) Empresa de fachada para integração de recursos ilícitos
  • C) Fraude trabalhista
  • D) Irregularidade ambiental
Gabarito: Q6-B

GABARITO GERAL — CONTABILIDADE

QResp.Tema
Q1CPL = Ativo − Passivo
Q2BPrincípio da competência
Q3BPerito judicial = nomeado pelo juiz
Q4COcultação/Estratificação
Q5BSmurfing
Q6BEmpresa de fachada
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NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
5 questões na prova
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS

O que são Direitos Humanos

São direitos inerentes a todo ser humano, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Fundamentam-se na dignidade da pessoa humana.

Características

CaracterísticaSignificado
UniversalidadeValem para todos, em qualquer lugar
IndivisibilidadeTodos os direitos têm igual importância — não se escolhe quais respeitar
InterdependênciaOs direitos se relacionam — violação de um afeta os outros
InalienabilidadeNinguém pode abrir mão dos próprios direitos humanos
ImprescritibilidadeNunca perdem a validade
IrrenunciabilidadeNão podem ser renunciados
HistoricidadeEvoluíram ao longo da história

Dimensões/Gerações dos Direitos Humanos

DimensãoDireitosObrigação do Estado
1ª geração (séc. XVIII)Civis e políticos: vida, liberdade, voto, propriedadeNegativa — não interferir
2ª geração (séc. XIX-XX)Econômicos, sociais, culturais: saúde, educação, trabalho, moradiaPositiva — agir, promover
3ª geração (séc. XX)Solidariedade: paz, meio ambiente, desenvolvimento, patrimônio comum da humanidadeColetiva — todos os Estados e povos
4ª geração (debate atual)Bioética, internet, democracia direta — ainda em construção doutrinária

Exercício

Q1. O direito ao meio ambiente equilibrado é classificado como direito de:

  • A) 1ª geração
  • B) 2ª geração
  • C) 3ª geração
  • D) 4ª geração
Gabarito: Q1-C

2. ONU — SISTEMA UNIVERSAL

Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH — 1948)

Tratados internacionais de direitos humanos (ONU)

TratadoAnoConteúdo
Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP)1966Vida, liberdade, julgamento justo, voto — obrigatório aos signatários
Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC)1966Trabalho, saúde, educação, moradia — obrigatório
Convenção contra a Tortura1984Proíbe tortura absoluta — sem exceção
Convenção sobre os Direitos da Criança1989Proteção integral da criança
Conv. Internacional sobre Pessoas com Deficiência2006Acessibilidade, inclusão — no Brasil tem status de emenda constitucional

Exercício

Q2. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada em:

  • A) 1945, junto com a criação da ONU
  • B) 1948, pela Assembleia Geral da ONU
  • C) 1966, com os Pactos Internacionais
  • D) 1988, com a Constituição brasileira
Gabarito: Q2-B

3. SISTEMA INTERAMERICANO — OEA

Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica — 1969)

Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)

Corte Interamericana de Direitos Humanos

Incorporação de tratados no Brasil

RitoStatusBase
Aprovado com 3/5 em dois turnos em cada CasaEquivale a emenda constitucionalArt. 5°, §3° CF (EC 45/2004)
Aprovado pelo rito comumStatus supralegal (acima das leis, abaixo da CF)Entendimento do STF (RE 466.343)
Exemplo prático: a Convenção sobre Pessoas com Deficiência (2006) foi aprovada pelo rito especial → status de emenda constitucional. O Pacto de São José da Costa Rica (aprovado antes da EC 45) → status supralegal.

Exercício

Q3. A Corte Interamericana de Direitos Humanos tem sede em:

  • A) Nova York (EUA)
  • B) Washington D.C. (EUA)
  • C) Haia (Holanda)
  • D) São José (Costa Rica)
Gabarito: Q3-D

4. USO DA FORÇA POLICIAL — LEI 13.060/2014 E DECRETO 12.341/2024

Lei 13.060/2014 — Instrumentos de menor potencial ofensivo

Decreto 12.341/2024 — Regulamentação do uso da força

Regulamenta o uso da força pelos agentes de segurança pública no âmbito federal e serve de modelo para os estados.

NívelAção
1Presença policial — dissuasão pela presença
2Verbalização — comandos verbais claros e firmes
3Controle físico sem arma — imobilização, algemamento
4Instrumentos de menor potencial ofensivo — taser, spray, bastão
5Força letal — apenas como último recurso, risco real e iminente à vida

Exercícios — Uso da Força

Q4. De acordo com a Lei 13.060/2014, os instrumentos de menor potencial ofensivo devem ser priorizados porque:

  • A) São proibidos em situações de risco
  • B) Permitem preservar a vida e integridade física com menor risco de danos fatais
  • C) Podem ser usados sem critérios em qualquer situação
  • D) Substituem completamente o uso de armas de fogo

Q5. Segundo o Decreto 12.341/2024, a força letal é:

  • A) O primeiro recurso a ser utilizado em qualquer resistência
  • B) Permitida sempre que houver ordem de prisão
  • C) O último recurso, quando há risco real e iminente à vida
  • D) Proibida em qualquer circunstância
Gabarito: Q4-B | Q5-C

GABARITO GERAL — DIREITOS HUMANOS

QResp.Tema
Q1CMeio ambiente = 3ª geração
Q2BDUDH 1948
Q3DCorte Interamericana = São José/Costa Rica
Q4BMenor potencial ofensivo = preservar vida
Q5CForça letal = último recurso
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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Apostila Completa — PC-SC 2026

Polícia Civil de Santa Catarina | Edital 01/2025
4 questões na prova
PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026

1. LEI 14.735/2023 — LEI ORGÂNICA NACIONAL DAS POLÍCIAS CIVIS

Estrutura e finalidade

Delegado de Polícia

Agente de Polícia Civil

A Lei 14.735/2023 foi publicada em 23/11/2023. É a primeira Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis, unificando padrões mínimos para todos os estados.

Exercício

Q1. Segundo a Lei 14.735/2023, as Polícias Civis estaduais são subordinadas ao:

  • A) Presidente da República
  • B) Governador do Estado
  • C) Delegado-Geral
  • D) Secretário de Segurança Pública
Gabarito: Q1-B

2. ESTATUTO DA PC-SC — LEI 6.843/1986

Estrutura da Polícia Civil de SC

Deveres do policial civil

Proibições

Regime disciplinar

PenalidadeInfrações
Advertência (escrita)Infrações leves — desvios menores de conduta
RepreensãoInfrações médias
Suspensão (até 90 dias)Infrações graves
DemissãoInfrações gravíssimas (corrupção, improbidade, abandono de cargo)
Cassação de aposentadoriaInfrações que, se em atividade, resultariam em demissão
Processo disciplinar: Sindicância (investigação preliminar — até 30 dias) → PAD (Processo Administrativo Disciplinar — para infrações que podem resultar em suspensão ou demissão).

Exercício

Q2. Um agente de polícia que revela segredo de investigação a terceiros não autorizados comete infração ao dever de:

  • A) Urbanidade
  • B) Sigilo funcional
  • C) Assiduidade
  • D) Eficiência
Gabarito: Q2-B

3. LEIS COMPLEMENTARES ESTADUAIS E PLANO DE CARREIRA

LC 453/2009 — Reorganização das Carreiras

LC 491/2010 — Organização Básica da PC-SC

Lei 16.774/2015 — Regime Disciplinar dos Servidores SC

Questão-chave: a sindicância é procedimento preparatório e investigativo. O PAD é o procedimento punitivo formal com contraditório e ampla defesa. A sindicância pode preceder o PAD, mas não é obrigatória.

LC 741/2019 — Plano de Carreira PC-SC

ACADEPOL — Academia de Polícia Civil de SC

Exercícios

Q3. A ACADEPOL tem como função principal:

  • A) Dirigir as delegacias regionais da PC-SC
  • B) Formar e capacitar os policiais civis catarinenses
  • C) Realizar perícias técnico-científicas
  • D) Processar disciplinarmente os servidores

Q4. A sindicância, no regime disciplinar da PC-SC, é:

  • A) Equivalente ao processo administrativo disciplinar (PAD)
  • B) Uma investigação preliminar que pode resultar em arquivamento, penalidade leve ou instauração de PAD
  • C) Procedimento que sempre resulta em demissão
  • D) Utilizada apenas para crimes funcionais
Gabarito: Q3-B | Q4-B

RESUMO GERAL DAS LEIS

LeiAssunto principalAno
Lei 14.735Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis2023
Lei 6.843Estatuto da Polícia Civil de SC1986
LC 453Reorganização das carreiras PC-SC2009
LC 491Organização básica da PC-SC2010
Lei 16.774Regime disciplinar dos servidores SC2015
LC 741Plano de carreira PC-SC2019

GABARITO GERAL

QResp.Tema
Q1BSubordinação ao Governador
Q2BDever de sigilo funcional
Q3BACADEPOL = formação
Q4BSindicância = investigação preliminar
Polícia Civil
PC-SC
Santa Catarina

Bons estudos!

Concurso Público — Edital 01/2025

Cargo: Agente de Polícia Civil

Organizadora: IDECAN

Elaborado por: Dani Kaloi

PROVA: 21 DE MARÇO DE 2026
Material de estudo — uso pessoal